sábado, 21 de maio de 2011

Boom!


Todo dia meu mundo acaba. E começa. Deixa um tanto de pergunta e responde poucas. Todo dia escolho algo ou alguém pra fazer meu mundo valer a pena. E todo dia algo ou alguém acaba me deixando triste.
No meu mundo vive minhas pessoas. As que eu escolhi pra morar nele. Não sei se elas sabem o quanto são importantes. Algumas, talvez.
Ouvi uma história, um dia desses, dentro do meu mundo, que todos os mundos iam acabar. Muitos mundos acabam diariamente e ninguém vê... mas todos os mundos de vez causam um certo desespero nas pessoas.
Foi o maior auê no meu mundo. É preciso acabar pra confirmar o que sempre existiu? Comecei a me perguntar o que muitos também se perguntavam: Você está com quem quer? Quem você quer também te quer? Se não, você desistiu ou lutou? Vale a pena? Você está sendo feliz? Ou tentando. Está na faculdade dos seus sonhos? Está alimentando seus sonhos corretamente? Deve desculpas a alguém? Explicação, sim ou não... Quer terminar ou começar? Você amou, ama? Perdoou? Temos tão pouco tempo...
Uma agitação só. Estrelas cadentes tiveram que ser refabricadas pra tantos pedidos que surgiram de última hora. Tantos desejos que deixaram a desejar. Tantas pessoas que deixaram passar... Gente pegando carona nos cometas pra se mudar. Outros, ficaram vendo o sol. Gente rezando, amando, querendo. Teve até quem decidiu regar a planta. Silêncio.
Boom. Estamos vivos! E o que fazemos com as interrogações no ar? Temos pouco tempo, mas temos tempo. Temos tempo de sermos o que queremos. Não é fácil, mas finge que é o último dia. Um dia desses, vai que é. Com quem queria estar? O que queria fazer?

(E aí o mundo acabou.Como sempre acaba: eu sozinha, acordada, com os cobertores e a madrugada. TV ligada.)

terça-feira, 17 de maio de 2011

Faz um pedido

Acordei hoje e ao sentar, para esperar o portão abrir, senti as dores da noite anterior. Dores físicas e emocionais. O sono que demorou de chegar e eu deitada na cama escutando Capital Inicial. Repassei dor por dor, como se só estivesse acordado de fato aquela hora, 6 e pouquinho. Me lembrei de dizer "que seja doce" ao coçar os olhos e veio um cílio nas mãos, dos meus olhos que tantas vezes te quiseram. Olhei para o cílio preto na minha mão e pensei nas mil possibilidades de te pedir, sem qualquer outra pessoa envolvida. Quero dizer, que não tivesse escolha pro erro... só minha mão esquerda com a mão direita, quase juntas numa só oração. Soube que aqueles segundos de esperança seriam os mais bonitos do dia, independente do que vi(v)esse. Mas decepcionando cada célula arrepiada do meu corpo, coloquei os cílios no traço do meio do "M" de maracutaia de toda mão e soprei. Dei de presente não te escolher hoje. E o vento levou o cílio mais bonito do dia...

...será que ele foi parar por aí?

(Te beijo nos olhos, bagunço a sobrancelha e ensino carinho de borboleta... só pra encostar o dedo indicador no seu, e querer que faça o mesmo pedido que o meu.)

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Seduzir um sedutor

Eu enjoo fácil. Sempre fui a inveja das amigas ao não querer atender o telefone, bloquear no MSN e não se importar por ele estar com outra na festa, depois de poucos dias.
De repente, conheci esses, responsáveis pelo quase... responsável por minha insegurança. Desde quando eu me tornei insegura por isso? Desejos reprimidos. Briga diária de coração e emoção. Logo eu!
Gostei de ficar... foi quando desisti de ir embora. Porque, no fundo, "eu gosto é do estrago", gosto mesmo é de liberdade... o medo de ser verdade, a dúvida de ser mentira, a incerteza, os impulsos. Colocar exclamações e interrogações no meio da reticências, e onde eu bem entender. E se não entender, a gente se entende, mesmo não se entendendo.
É, mesmo não sendo. Coisa sem nome. Mas coisa bonita... não é preciso dizer pra legitimar, é?

Pétala dengosa

(Eu sei que beija-flor não "beija" pétala, mas sejamos românticos e bonzinhos...)


"Você tem mãos de menina estudiosa", ela disse tentando consertar com acetona o estrago semanal. "Por que?", perguntei alguns segundos depois, por ter interrompido meus pensamentos. "Porque sua mão e unha estão sempre sujas de caneta". Sorri... e ela nem soube que cheguei em casa e borrei a unha só pra falar do que ela tinha pintado: "dengo" e "pétala".
"O que houve?" "Com o quê?" "Com você... você nunca quer claro e ainda pediu pra cortar!" "Ah, sem graça, ?" "Demais... deixa eu te mostrar esses escuros novos pra te animar" (...) "Deixa pra semana que vem." "Ihhh, tá mal, hein?" E clarinha.
Eu gosto da minha manicure. Gosto como ela fala do mar que nunca viu e gosto quando ela respeita quando vou com iPod e respondo com monossílabas. Gosto dela xingando a patroa e falando cheia de orgulho do filho... Gosto como ela cuida da minha mão. E ela gosta de como sou uma boa cliente e só digo um "ai!" com os raros bifes... Gosto como ela morre de rir das minhas desgraças.
Mas eu só queria dizer mesmo que, agora, sou "pétala" e "dengo". Admito que peguei no "dengo" só pelo nome, mas me pintei dele... não só a unha, quero dizer. Me pintei de cintilante rosa claro. Deixei meus desejos falarem e a falta da realização deles reclamarem. Fiz poesia manhosa, dessas que a gente torce para estreitar distâncias e caber num abraço telepático. Pedi cafuné e quis fazer. Inventei diálogos para me satisfazer. Birra pra comer chocolate. Terminei Vinícius de Moraes. Fui doce, leve, silenciosa.
"Pétala" eu sempre fui. Pedaço de flor. Às vezes sou "bem-me-quer", outras não. E às vezes, bem me querem. Tem muitas pétalas ao meu redor. De vez em quando murcho sozinha, me afasto, deixo estar. Outras, dá vontade de ser mais colorida que as outras. Agora pequena, escondida, esperando chuva pra gente se ver. Mas quem sabe quando o sol aparecer, eu não surjo junto com ele, ? Enquanto isso, espero o dia em que o tal beija-flor vai me escolher. Não por ser uma pétala mais bonita, colorida ou cheirosa (apesar de serem grandes atrativos), mas só por ser... aquela que ele viu e quis que fosse ela. Sou eu?
Aí Cláudia (é o nome da minha cuidadora de unha) falou "Pronto. Ficou bonito.". Pensei "ficou eu"... será que ela ia entender? Afinal, quem entende?

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Let's put a smile on that face

Estou triste. Assim, mesmo, de uma vez. E não quero que façam nada com minha tristeza. Eu até queria, mas não queria ter que falar isso, pra alguém ficar do meu lado em silêncio. Eu sei o quanto estou errada. Não quero discurso, nem conselho, palavras positivas, nada. Só quero dizer que estou triste.
Juro que não é desses dramas comuns. É porque a dor do outro sempre parece menor quando é no outro. Mas não sentir, não significa que não está doendo. E dói. Aí a gente coloca na playlist corta-pulso e fica, fica... deixa doer.
Eu cansei dos mesmos erros. Meus próprios erros. Tenho consciência do quanto cada vez é pior, e "vou errando enquanto o tempo me deixar". Vontade de ligar pra qualquer pessoa só pra ficar ouvindo uma respiração e saber que vale a pena.
Há quanto tempo minhas bochechas não doíam tanto pra não chorar na frente de alguém... e depois, eu desabava sozinha. E deixava as lágrimas se misturarem com a água do chuveiro que caia devagar e lavava tudo, menos a alma.
Queria lavar a alma. Pegar uma bucha e esfregar as manchinhas que estão criando. Queria me fazer de novo. Nova. Diferente. Bonita. Tranquila. Responsável. E sempre o mesmo discurso... sempre, sempre.
Prometo que é até agora. Até me prometer de dedinho, que agora é diferente. Que as fotos coladas na minha parede pedem isso, que meus sonhos pedem, que meu coração pede e que vale a pena. Tem que valer. É só um intervalo entre duas felicidades.

domingo, 1 de maio de 2011

Carta para mim

(Inspiração: http://www.youtube.com/watch?v=GjzgQnR64F8)

País das Maravilhas, de quando era dele.

Oi ,

Aproveita, menina. Você vai sentir falta do abraço, do beijo, das mensagens. Quando ele disser qualquer coisa bonita, guarda pra sempre. Se esforce pra não esquecer. Demonstre. Chore, se precisar. Vai voar. Você nem vai ver. Quando perceber, ele já partiu. Então dance, beije, grite. Vai ser uma das épocas mais bonitas de sua vida. Você com esperança fica mais assim... Não esconda os sorrisos que aparecem só ao sair na rua e lembrar de algo que ele falou. Dê valor ao invalorizado. Guarda o desenho e não deixa a flor murchar. Regue todos os dias e faça durar mais um pouquinho. Só eu sei o quanto você vai sentir falta de querer ir pros lugares pra vê-lo. Você, que pouco gosta de festa. Só eu sei o quanto você vai querer voltar. Só eu sei o quanto vai lembrar ao passar na rua. Só eu sei dos planos mil com as amigas que nunca davam certos. Então, agora ele é seu. E é de outras, também. Mas é seu e isso que importa. Não deixa ele ir. Só mais um pouquinho... Leia a mensagem duas vezes, conversa mais no MSN, sinta. Se permita. Porque só eu sei do quanto vai sentir falta...

Um beijo, se cuida. E cuida dele, também.
Fernanda, de agora. De ninguém.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Eu entre aspas

- Você não me ama mais, é isso?
- Tá vendo? Esse é o problema com o amor, ou ele vira cobrança e ninguém tem mais paz, ou então ele vira rotina e as pessoas morrem de tédio.
- Se você quer amar alguém por muito tempo tem que aprender a gostar da rotina.
- "O casamento é o túmulo do amor. Foi inventado para os seres humanos medianos, que não são aptos nem para o grande amor, nem para a grande amizade, portanto para a maioria". Nietzsche.
- Você não quer casar porque é um ser superior, é isso?
- Não, eu não quero casar porque casamento é chato. Porque casamento é uma coisa, amor é outra. As pessoas se casam por amor e depois terminam se estapeando por causa de uma infiltração na cozinha.
- Eu não posso acreditar que você não vai mais me namorar por causa disso. Por causa de uma frase do Nietzsche e uma infiltração na cozinha.
- Eu prefiro a aventura à rotina.
- Eu prefiro os dois. Criar um filho, por exemplo, é aventura e é rotina ao mesmo tempo.
- Eu não quero ter filhos, quero fazer teatro. "Ou filhos ou livros". Nietzsche de novo.
- Pois eu quero casar, ter filhos e fazer teatro.

(De algum filme que eu não sei o nome...)


quarta-feira, 13 de abril de 2011

À vocês

...que já foram/são dono dos meus beijos... ou desejo deles.

(Datas me comovem. Fato. Por mais capitalistas que sejam. E beijos me comovem muito mais. Acho lindo como podem expressar várias coisas e causar várias sensações. A foto mais bonita de todas que eu achei foi a do bebezinho aí com o (suposto) pai. E eu até queria escrever de vários beijos, nas testa, no olho etc... mas como sempre, eu vou pro lado mais romântico, mais casal, mais brega possível. Me desculpo.)

Antes... diálogos de hoje:
Fernanda: Tcharan, hoje é dia do beijo! =)
Larissa: Sério? Uhhhh...
Guilherme: Vem cá, então! *abraça e beija as duas* Podem usufruir de mim hoje.
*Fernanda e Larissa dão beijinhos na bochecha ao mesmo tempo*

Fernanda: Feliz dia do beijo!
Monique: Haha. E aí, como vai comemorar o dia?
Fernanda: Não tenho quem beijar de verdade...
Monique: Liga pra ele!!
Fernanda: Ele nem beija tão bem...
Monique: Ahhhh, só prática. Haha.
Fernanda: Preguiça de ficar bom.
Monique: Então beija a maçã.
Fernanda: Quê?
Monique: Beija uma maçã, ué! Haha.
Fernanda: Você faz isso???
Monique: Não, mas morde um pedaço (finque que é uma boca) e beija.
Fernanda: HAHAHA. Ok.

*Alexandre fecha os olhos e beija*: Muah! Feliz dia.

SMS: Tô mandando um beijo pela linha do coração. Recebe aí. ;***
SMS: Recebido. =)

Fernanda: Lembrei de você, hoje, por algum motivo desconhecido. Mentira, porque é dia do beijo.
C: Gente, e o que isso tem a ver comigo?
Fernanda: Alguma coisa.
C: Pode ser mais clara?
Fernanda: Não.
C: Seja mais precisa.
Fernanda: Não.
C: Chata.

Bianca: Qual seria sua reação se alguém te parasse na rua e pedisse um beijo?
Fernanda: Depende, né... hahah. De muitas coisas. A rua e a pessoa, principalmente.
Bianca: Sei... do tipo se fosse uma pessoa do *País das Maravilhas?*
Fernanda: Sim, do tipo se fosse uma pessoa do *País das Maravilhas*.
(*modificado, rs)

T: Um beijo!
Fernanda: Obrigada.
T: E eu não ganho não?
Fernanda: Não por aqui...
T: Linda.

Monique: Sua beijoqueira...
Fernanda: Eu não. Na verdade, acho que prefiro mordida.
Monique: Hahaha, eu também.
Fernanda: Será que existe dia da mordida? Vamos inventar.
Monique: Vamos!
Fernanda: A data será entre nossos aniversários...
Monique: Faço em Setembro e você Agosto e agora?
Fernanda: Aiii...
Monique: Primeiro de setembro, então!
Fernanda: Certo. Dia Oficial da Mordida.

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(Texto sobre alguns que me beijaram, outros que quiseram me beijar e alguns que quis...)

Me beijou na bochecha direita segurando minhas mãos. Todo bonito. Alto, loiro, magro e meu. Você foi meu primeiro medo, minha espera no portão e ansiedade. Selamos amor e agora somos amizades. Continuamos lindos.
Depois, veio mais homem. Eu tão menina e você assim... me beijou como se o mundo fosse acabar e foi a primeira vez que eu achei que o mundo ia mesmo acabar. Você foi tantos depoimentos para amigas, tanta brincadeira e corações ansiosos. Foi torcida pulsante. E às vezes ainda é.
Teve uma vez que virou perigoso. Beijou meus olhos com veneno e me deixou cega. Hoje tenho consciência do quão horrível foi. Você foi tantas pernas tremendo, minhas desculpas esfarrapadas, meu conhecimento abusado. Quando quis, não me quis e vice-versa. Hoje você é ocupado.
De repente, aparecestes todo fofo. Tímido, tocando violão. Foi paixão à primeira vista, risadas e cartinhas. Compatilhamos música. De tão puro, esse só beijou meu coração. E vive beijando...
Uma vez, você surgiu por carta dizendo "Please, leave your taste on my tongue". Foi o mais estranho. Novidade, surpresa e interrogações. Dúvida. No fim, viramos abraço demorado.
Por internet você beijou minhas palavras e nos quisemos tanto. Você foi ilusão, conversas infinitas, vida escrita, planos de encontro. Hoje, é carinho gasoso.
Teve outro que foi decepção. Batemos os dentes e as almas. Esse foi chato e nem sei porque tá aqui. Dizem pra não cuspir no prato que comeu, mas uns só vomitando...
Aí você veio insistente e carente. Você me cobrava demais e (in)felizmente eu não fui o que você pensou que eu era. Nos beijamos e fim. Acontece.
O mais bonito de vocês, no fim ainda é o meu predileto (e o mais triste também). Você demais e eu de menos. Ambos exageros. Uma relação que nos machuca e entristece. E ainda assim, continuamos nem pra lá nem pra cá. Deve ser isso que chamam de amor... que por sinal, ainda nem disse pra você. Nos beijamos em sonhos.
Quando tudo parecia mais azedo, apareceu você e beijo com gosto de brigadeiro. Veio com arrepio e muitas pirraças. Viramos reticências.
Ultrapassando os limites da língua, inventei palavras pra esse você e "agarrar" virou sinônimo de "I like you". Foi faz de conta, noites bonitas e interpretação do jeito que bem entendíamos (e queríamos).
Por último, você tímido brincando com minha doçura, que esconde tanta coisa. Você é pintado de esperança verdinha. Mas menino, eu sou é liberdade...

P.S.: Talvez eu precise de volta de alguns beijos, um dia desses... aceito devoluções.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Capítulo 0


Começamos do fim. Éramos só dois carentes presos ao passado. Éramos música triste para entristecer mais. Éramos compartilhamento de fone de ouvido. Éramos tristezas mudas e carinhos tímidos. A gente era o carinho que queria. A gente era o querer, o quase, o mais nunca ou talvez. Esperança e liberdade de mãos dadas. A gente era possibilidade, era tapa-buraco do bem. Merthiolate que não arde. A gente era compartilhamento de casaco. Era querer aquecer - de novo - o coração. A gente dividia as mesmas coisas e era bom dividir. Éramos olhar perdido, mãos perdidas, almas soltas. A gente era gostinho de quero mais. A gente era tão silêncio. Você, cravo morto e eu rosa despetalada. Até que viramos verdade juntos. Decidimos esquecer juntos. Crescer doando o ombro carregado de mundo. E é lindo sermos sem julgamento, respeitando cada batida do coração desconhecida. Estamos, além de conquistando um ao outro, nos conquistando. Agora somos os segundos eternos que antecedem o beijo. Doando pedacinhos para regenerar partes que talvez alguém tenha arrancado. É tão bonito. Nós somos nossa própria torcida. E eu sou puramente "obrigada".

sexta-feira, 1 de abril de 2011

De vez em quando é primeiro de abril

As brincadeiras de quebrar as partes do corpo perderam a graça. Não tenho mais criativida pra isso. Até minha ingenualidade desapareceu, e eu não cai em nada, mesmo com poucas tentativas. Maria falou que engravidou, Ana saiu de casa, Telma pintou o cabelo, e Fulano morreu. Engraçado.
E eu, aqui, ainda querendo escrever pra você.
Que de vez em quando eu ainda penso. Que de vez em quando eu ainda quero. Que de vez em quando eu odeio. Que de vez em quando tenho ciúmes. Que de vez em quando eu enlouqueço. Que de vez em quando eu sonho. Que de vez em quando eu assisto, durmo e acordo com você. Que de vez em quando eu lembro. Escrevo, de vez em quando. Que de vez em quando eu olho pro céu. Que de vez em quando eu me olho, pensando. Que de vez em quando eu abro a janela do MSN e deixo lá. Que de vez em quando dá vontade de chorar. Que de vez em quando não é muito de vez em quando. Que de vez em quando grito. Que de vez em quando quero todo bem. Que de vez em quando eu escuto. Que de vez em quando quero dançar forró com você. Que de vez em quando eu visito. Que de vez em quando eu sorrio. Que de vez em quando amo o passado. Que de vez em quando quero futuro. Que de vez em quando quase acredito. Que de vez em quando dói. Que de vez em quando, eu queria muito que fosse primeiro de abril, só pra te dizer umas verdades disfarçadas.
De vez em quando, queria que fosse mentira.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Linda Sophie,

...hoje eu vi sua mãe, com você escondida. Toda bonita. Foi por foto, mas ainda assim dá pra sentir felicidade de longe. E você toda apertadinha aí dentro. Dá pra sentir cheiro, também. Quando a gente gosta muito, a gente lembra do cheiro das pessoas. Eu aposto que você vai se apaixonar pelo cheiro de sua mãe. É lindo, lindo, quase tocável.
Na verdade, seus pais ainda não decidiram se você vai ser Sophie de verdade. E quase te chamaram de Tom por um bom tempo, acredita? Ai, ai... Mas eu precisava escrever, e ficaria um pouco feio não ter o nome do remetente, não é? Além disso, é bonito ser Sophie, mesmo não sendo. Se é que você entende.
Então, pequena... eu só queria te dizer que estou ansiosa pra você sair daí. Talvez seja um pouco egoísta, porque eu sei que deve estar quentinho, fofinho, um pouquinho apertado, mas protegida. Não é muito legal um tanto de coisa nojenta juntas, mas as melhores coisas da vida, são aparentemente nojentas, mas isso é conversa pra daqui alguns anos...
Sabe, Sophie, eu queria dizer pra você aproveitar aí. Quando a gente nasce, a gente cresce, cresce, cresce e nem lembra. É um pouco chato esquecer, porque deve ser lindo viver 9 meses dentro de alguém. Depois disso, a gente só entra em alguém com outro tipo de relação. Que não é materna. E isso de mãe-filha, é tão lindo... que se você pudesse se ver, aposto que ia gostar muito.
Eu queria ter te visto preta e branca, na telinha, com tia Dila e Cris... mas eu aqui, te imaginando bonita. E acredite, com seus pais, sair feia é quase impossível. E nem é um pensamento positivo, é Biologia, mesmo. Daqui uns tempos você aprende.
Talvez você esteja um pouco curiosa sobre o mundo aqui fora. Talvez te façam um pouco menos pura. Mas a gente cresce, Sophie. Às vezes dói. Daqui uns tempos, vai ficar insuportável ficar aí quentinha. Não tem mais jeito. Você vai ter que sair. A gente tenta viver como pode... enquanto isso, aproveita aí. Deve ser isso que chamam de paz e que é tão difícil conseguir nos mundos atuais.
Seus pais são lindos, Sophie. Aposto que já está acostumada com sua mãe cantando pra você... ninando, amando. E com Cris beijando vocês duas ao mesmo tempo. Olha que coisa linda. Beijar duas pessoas ao mesmo tempo! E nada que envolva algum pensamento malicioso. Pureza.
Eu te espero ansiosa, princesa.

Beijo, no seu coraçãozinho, que bate o tum-tum mais bonito do mundo atual,
Nanda.

P.S.: Beijo a barriga de sua mãe, daqui mesmo, que eu já tanto amo e quero bem...