terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

sábado, 25 de fevereiro de 2012

"...tenha a fineza de desinventar"

Eu passei a festa inteira toda chata. Procurando motivos pra ir embora ou ficar, dando atenção pra minha unha, fingindo sorrisos. Quase não dancei, pouco comi e nem podia chocolate pra me salvar. E aí, quando convenço todos a irem embora por mim, encontro o motivo, na porta da saída, que me faz querer ficar: você. Champanhe do lado, lágrimas nos olhos e sozinha. Sabia que daria um bom texto. De repente, eu me senti muito pequena e ridícula por estar odiando aquela festa, porque você, por menor que seja o motivo, tinha justificativa pra chorar, e por mais que clichê que soe, eu ainda acho que grandes garotas choram. Eu não tinha visto nada mais bonito nessa noite. Nem a cerimônia do casamento, nem os velhinhos no altar, me fizeram encher os olhos d´água. Foi você que me fez querer ficar em pé lá do seu lado e saber o que houve. E querer contar estrelas e a gente morrer de rir, até você esquecer porque chorava e eu esquecer de perguntar. Talvez bebida, talvez escolhas, talvez dúvidas, talvez vontade, talvez nada. Não sei lidar com as tristezas alheias... com a minha, até que temos uma convivência quase diária e bem, mas a alheia... Não se chora só de tristeza, eu sei, e você disse. Mas numa festa de casamento, com um champanhe do lado e cara de tristeza: alegria não é. Desculpa, você é péssima mentirosa. Porem, foi muito romântico justificar que foi a cerimônia... acho bonito pessoas que se emocionam com isso, porque eu, particularmente, não vejo graça. Não sei o que foi, não sei se "Fica bem" melhora, ajuda ou piora. Mas eu prometo, no abraço que te dei, eu deixei um tanto do meu melhor. Espero que nossos corações tenham feito bom papel e a paz tenha chegado onde deveria. No fundo eu sei que só consegui recolher uma lágrima, que veio junto com um fio de cabelo. Desculpa. Sou péssima com isso.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Enrolada...


Enrolava. Uma mecha de cada vez. Sem pressa. Era dia de colocar em prática uma das suas principais características. En-ro-lar. Até falava devagar, quase se orgulhando, mas sabia das vantagens e desvantagens de tal verbo. Não por acaso, adorava a frase "temos todo o tempo do mundo..." de uma de suas músicas preferidas, ironicamente chamada "Tempo perdido". Perdia tempo, mas não se importava em adiar a arrumação dos livros jogados na cama. Alguns até dormiam com ela. Enrolava pra amar, porque achava necessário e importante. Gostava de escrever em terceira pessoa sobre si mesma porque achava que o impacto era menor. Se enrolava entre linhas. Se enrolava entre espaços ou falta de. Fisicamente, ficava de conchinha e interiormente se escondia como caracol. Enrolava a verdade, mas não mentia... era só falta de coragem de encarar as consequências de deixar pra depois. Enrolava. Enrolava a linha, pra costurar corações; a fita da sapatilha, pra conseguir se equilbrar; a fita de rádio que herdou dá avó, pra sentir. Enrolava pra escrever porque na última hora é sempre quando todos os sentimentos não tem medo de aparecer. Achava sincero. Mais uma mecha de cabelo. Pensava enroladamente nele. Bem devagar pra o sentimento ser sustentado até o final. Enrolada na toalha fazia uma declaração de amor ao vento. Cobria a alma e se enrolava de proteção, através de muita oração. Proteção. Pura reticências, tinha sempre algo a ser dito e algo que não foi dito. Enrolava as palavras. Enrolou o beijo, deixou durar. Enrolou a saudade e confundiram com embrulho de presente. Presente quase grego, enrolou o elogio... não por não gostar, mas por  avaliar cuidadosamente o quanto gostou e saber qual será o tom de voz pro "muito obrigada". Enrolava todas ligações do mundo, porque odiava falar ao telefone, mas se esforçava pra melhorar. Tudo devagar e ainda tinha coisa que passava despercebido. Enrolava a "desculpa" porque essa era difícil de sair de dentro da alma sinceramente. Mas uma coisa sobre a menina enrolada era certa: tinha o maior cuidado em não enrolar as pessoas. Segundo ela, só pode se enrolar  pessoas em abraços apertados e gigantes, sejam duplos, triplos ou infinitos. Enrolar pessoas não parecia justo. Talvez por isso, depois de tanta enrola, ela queria mesmo era dizer: "não me deixa enrolada". E no papel enrolado no bolso, ele encontrou: "Desenrole meus cachos, meu juízo, meu status, minha toalha. Desenrole sua paciência. Desenrole meus segredos. Desenrolo seus desejos. Desenrolemos o tempo..."

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

E você volta pra me ler como se eu tivesse que dizer alguma coisa sempre... e o problema é que eu tenho. E eu volto pra te ver como se você tivesse que ser visto o tempo todo... e o problema é que não tem. Não tem.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

I miss you

Quando vim pra cá tive saudade dos meus amigos de casa, da família, de Lucy. Quando estava aqui, senti saudades quando viajei o fim de semana e alguns amigos daqui não puderam. Quando voltei, morri de saudade do que ficou no fim de semana. E agora, juntou tudo e resolveu doer um pouquinho, no meio de tantos sorrisos. Já tô quase voltando e isso assusta. Mas como diria meu professor daqui, de fotografia: "It's not real life. It's ilusion.". Deixa eu sonhar, deixa. Porque pela primeira vez eu quero estar muito acordada. Porque pela primeira vez eu acho que era assim que deveria viver. Acumulando saudade. Palavra intraduzível. E linda. Pela primeira vez pareceu ser certo. Vou sentir falta. Já sinto.

- One French Vanilla, please.
- With sugar?
- And love.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Nunca tive medo de altura

Tive que ir muito alto para descobrir o que estava extremamente perto: o mundo é muito grande e eu ainda tenho muito amor para dar e receber. Da CN Tower a gente pode ver o quanto somos pequenos, o quanto nossos problemas não mudam nada no mundo, o quanto eu queria mostrar o que eu estava sentindo e dizer: foi pra isso que eu subi aqui. Último andar, 8 dólares a mais pra descobrir que não é isso que eu quero. Isso que eu achava que eu queria. Era só um pozinho embaçando a vista. Eu quero o mundo. Foi lá em cima que eu descobri que há coisas e pessoas melhores pra mim, com cerca de trezentos e sete milhões de oportunidades de acontecer... talvez tenha sido Deus soprando no meu ouvido, já que fisicamente estávamos mais perto. Eu soube que é tão pouco o que sinto diante tanto movimento... e principalmente, que é tão mais pouco pros envolvidos, que deixa estar. Ainda tem muita coisa pra acontecer, muitas pessoas pra virem... porque as que foram, foram. Talvez por escolha própria, expulsão ou cansaço. Arranhei meu nome no céu, fiquei na ponta dos pés e escrevi nas nuvens. As estrelas guardaram meu segredo em troca de esperança. No fim das contas, eu não sei mais quem você é, mas pouco importa, porque eu sei que eu só sou alguém num dos lugares mais altos do mundo. Quem precisa de detalhes? De cima eu tive certeza: quero ir mais longe. Mais alto. Mais bonito. Mais feliz. Mais.




Agora é minha vez!

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Na estacao...

(Sorry, não tenho acento, tentei consertar o máximo com a péssima verificacao de ortografia do Blogger, mas...)



St. Clair Station

(cerca de 8:32 pm)

Acabei de dar duas moedas para o menino tocando violão estacão... dia cansativo e provavelmente não vai ser legal chegar em casa muito tarde, mas eu gosto disso e confesso que foi a salvacao mais linda dos últimos dias. Como se dissesse "olha, você esta sentindo o que esta vendo?". Tinha tempo que não havia parado pra escutar musica, talvez eu só esteja sensível o suficiente por causa disso. Talvez tinha esquecido a sensacao, ou talvez estava precisando do meu Moleskine. Tenho preguica de entender o que ele esta cantando, mas eu gosto do ritmo. Vontade de arte, amar e dançar a dois com alguem aqui. Estacao vazia, mas lotada de mim e solidão. Saudade de casa. Não pensei que sentiria falta, já que muitas vezes achei que não tivesse raízes profundas, mas eu sinto. Na caixinha do cantor, umas moedas esparramadas, que nada se comparam ao seu talento. Fico pensando porque ele veio pra cá, sendo que e bom o suficiente pra tocar num ótimo bar. Segunda a noite...  he`s crazy. Estou aprendendo pensar em inglês. Adoro esse tipo de gente. Vontade de ir la, abraca-lo e dizer "obrigada por isso. Você e lindo.", mas isso não e visto com bons olhos na atual sociedade. Saudade. Ele esta me lembrando que sinto saudade e que tenho sido feliz... Acho que preciso ir.

(Nova pagina no Moleskine:)

"HELLO STRANGER,
THANK YOU!
YOU WERE THE BEST PART OF MY DAY, I HOPE SOMEONE CAN DO THE SAME FOR YOU ONE DAY."




Rasguei e coloquei na caixinha do violão, junto com mais algumas moedas. Não foi o suficiente. Ainda não sei como agradecer por paz.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Querido Papai Noel


Desculpe o atraso. Com tanta encomenda de presente, e eu continuo deixando as coisas pra última hora, atrapalhando você, não é? Mas não se preocupe, só vou ocupar um tempinho do senhor com essa carta, porque o meu pedido não o ocupará tanto. Demorei esse ano pra escrever porque como o senhor deve ter visto, não tenho merecido muito presente. Esse ano me decepcionei, não sei nem onde enfiei a lista de ano novo, que não devo ter cumprido nem 1/3. Quase fiquei de recuperação, não estive muito com as pessoas que amo, e ainda esqueci a identidade pra fazer o vestibular. Fui irresponsável, desorganizada, desatenta e desastrada. Quebrei muitos copos e corações. Coração de mãe, amiga, amigo. Mas sofri, em compensação. Acho que aprendi metade da lição, pela dor. Cresci na marra, com muito choro contido. Fui amante nos dois sentidos. Tive conversas longas, desesperadoras e desconfortáveis. Até experimentei novos tipos de bebidas. Desastre. Decepção. Você sabe que eu queria um babyliss, alguns CDs, um longboard, uma máquina fotográfica, um relógio, um rímel, um óculos de sol, alguns livros e um amor, mas conquistarei isso através dos meus méritos, não se preocupe. Eu ainda preciso me perdoar, Noel, por isso, lá vai meu pedido: deixa eu ser a Mamãe Noel esse ano? Juro me esforçar, me comportar, me comprometer. Cuidando dos outros a gente se cuida, também... e como eu cantava no coral da escola, não a muito tempo atrás: "você vai ver como é legal brincar de dar presente nesse Natal... vai descobrir que dar é bem melhor que receber!". Claro que grande parte dos presentes não estão ao meu alcance, mas eu me esforçarei. É tempo de pensar nos outros, agora, como poucas vezes fui capaz de fazer esse ano. Pode, pode? Sabia que você ia deixar! Obrigada. Agora só preciso de pedidos e alguns duendes... O pisca-pisca não foi aceso, ainda dá tempo de desejar, seja lá o que for. E você, o que vai querer? 

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Anjo

Você (ainda) me lê. Foi bom saber disso. E quem diria que minha caixinha de visitantes diria tanto... bastou uma cidade. Pouquíssimos habitantes. Não é possível que alguém mais lá tenha acesso ao meu blog, a não ser uma stalker sua louca da vida, o que eu acho pouco provável. Enfim, foi bom te "ver". Olhar pro lado e ler "Na rua, agora: 2 online". Eu e você. Como sempre deveria ser. Gostei de saber que ainda me acompanha, mesmo sem demonstrar. Aliás, não somos de demonstrar muito. Como um anjo, que eu prometi que ia ser seu, você ainda me acompanha invisivelmente. Não preciso ver pra saber... eu sei que você está aí, como sempre. Talvez responda uma ou outra mensagem atrasada, ou nem responda, mas está lá. Sempre esteve. De seu jeito disfarçado. Quis saber se ainda pensa em me escrever e como anda sua vida, seu coração, sua família. Tem coisas que invariavelmente se perdem com a distância e isso dói, um pouco. Saudade de te tocar, olhar nos olhos e contar meus dramas eternos e sarar com sua cara de tédio e uma frase começada com "ô Nanda...". Sinto falta de alguém que torne meus dramas pequenos e compartilhe metade dos problemas. Eu continuo sendo péssima em me socializar, assim como você. E detestando arrocha, odiando metade do mundo e quase acreditando no amor. E a ironia disso, é que eu, tão enjoada, ainda insisto em você e na nossa amizade torta. Se cuida, por mim. Sempre.

Doce loucura

Telhado de Paris - Zélia Duncan


Ela queria colo. Não era explícita, mas os amigos mais próximos sabiam que quando ela ficava quieta pedia muito mais do que quando gritava. Queria chorar... tinha dificuldade em lidar com os ductos lacrimais orgulhosos. Não só os ductos. Menina orgulhosa da cabeça à ponta do pé. Decidiu calçar a sapatilha de ponta, que estava abandonada e de lado na gaveta há exatas duas semanas. Se maquiou assim como a alma pedia: muito lápis preto, rímel preto e batom nude. Deixou a fita da sapatilha aparecer, rebeldemente e pegou a meia mais velha e confortável. E dançou... pra esquecer, pra sentir dores em outros lugares, pra se lembrar que ainda podia se equilibrar fisicamente. Ao som de Bach, ela se deixou levar. Subiu o máximo que pode pra se mostrar que  por mais que a gente tente, nem sempre tudo está ao nosso alcance, e às vezes não basta subir no seu máximo, é preciso de alguém que te carregue mais longe. Fez doer tudo, pra desconcentrar a dor do coração. Recebeu uns 3 comentários de que emagreceu... dessas dietas não propositais e que a tristeza tem o prazer de te deixar pior, mesmo magra. Então levantou a perna o máximo que conseguia, descobrindo que a cabeça ainda era mais alta. Sempre. Saltou imaginado-se leve, e de fato foi. Com a mão atenciosa, esmalte "dengo" e o dedo indicador a frente, se tocava pra dizer que era responsável por si, por seus prazeres, seus limites, seu fôlego. E isso era independente. Tentou bater o recorde de ficar quase flutuando só com um pé, e conseguiu, lindamente, como somente toda tristeza e intensidade seriam capazes de produzir. Presente. Respiração ofegante, suor disfarçado. Memória lutando pelos passos prontos, alma escolhendo o que fazer. Era só uma questão de desviar a atenção de si mesma. Olhar fixo e perdido por uma boa causa. Deixou as costas nua, com todas suas marcas e manchas de uma semana terrível. Trabalhou a cabeça, em se manter fixa sempre. Objetivo. Foco. Postura. Responsabilidade. Fita azul, 7 grampos, redinha preta, organização e perfeccionismo. Era ali, exatamente ali, que mudar e ser o que precisava ser fazia sentido. Era na ponta do pé, que ela era alta, como sempre quis. Equilibrada, tranquila e leve. Tudo apertado pra se mostrar perfeita. Ali ela se invejava. Respeitava seus limites, e tentava ir além sempre. Rodopiou numa pirueta dupla, tentando a sorte e caiu. Piruetas era seu ponto franco, pra lembrá-la que sempre tem algo a ser melhorado, e é preciso levantar. Queixo alto. Se olhou de novo no espelho, analisando cada poro fora do lugar, a olheira acumulada, a pele mais pálida, se apoiou na barra e chorou na última nota de "Jesus alegria dos homens". Feito cisne negro... dura e cheia de si. Pensou no astronauta, que de vez em quando ela enxergava quando ficava na ponta dos pés, mas faltava muito pra alcançá-lo, talvez isso fosse fisicamente impossível... ou talvez o confundiu com um cometa. Acha que preferia um cometa, a menina. Com os dois pés no chão, voltou pra realidade... sentia sede. Sede não só de água. Faltava muita coisa ainda. Respirou fundo pra sentir os dedos dos pés se mexerem, mais uma vez. Ainda queria colo. Ou massagem, cafuné, tanto faz. Suspirou e dormiu no primeiro piscar de olhos, no colchonete rosa de alongamento, sozinha. Era atração e platéia. Quem sabe sonhando o show não fazia sentindo... 

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Para 2012

O homem disse que tinha de ir embora - antes queria me ensinar uma coisa muito importante:
- Você quer conhecer o segredo de ser um menino feliz para o resto de sua vida?
- Quero - respondi.
O segredo se resumia em três palavras, que ele pronunciou com intensidade, mãos nos meus ombros e olhos nos meus olhos:
- Pense nos outros.

O menino no espelho