terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Segundos de possibilidades

Ele tinha tudo que eu abomino e tudo que eu amo. Não soube em que focar. Eu só sei que ele salvou a noite com o primeiro diálogo, aquele em que eu não lembrei o seu nome logo quando fomos apresentados e caso errasse na terceira tentativa, ele me pedia o que quisesse. Mas eu acertei e eu que teria que pedir. O que pedir de alguém que acabei de conhecer? Perguntei, quase dizendo um gole de cerveja - que detesto - só pra não ser sincera demais. E aí ele me beijou depois do "isso". Alto, magro, rockeiro e poeta - dependendo do ponto de vista. Fora o nome lindo, que eu nem disse que já pensei em colocar no meu filho pra não ficar parecendo mentira de comédia romântica. Na verdade, eu só escrevi mesmo para não esquecer. Porque por alguns minutos ele foi o melhor possível amor de minha vida. Às vezes a gente tem que guardar essas coisas.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Desabafo

Uma vida inteira de gente te dizendo o que fazer. Eu só cansei de alguém querendo me consertar. Quero alguém pra gostar de mim. Assim.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Dia de chuva

Oi, 

há tempos não te escrevo nada. Aliás, não me lembro de ter sido tão direta assim alguma vez. Chove, agora. Eu permaneço imóvel, na janela, só observando o ritmo e sentindo cheiro de terra molhada. Lembra que estava chovendo quando a gente começou escrever uma música que nunca terminamos? Você tocava e eu cantava. Aí depois você fez sozinho, o que me deixou um pouco irritada, mas extremamente feliz. Lembra que você jogou um balde de água na minha cabeça e me rodou firme até eu ficar absurdamente tonta? Arriscamos molhar o cabelo, a pele, a boca. Sinto saudade de você. Desculpa, não você, você. Mas um você outro, mais perto e acessível, a quem essa carta poderia ser direcionada sem tantas entrelinhas e meios. Sinto falta mesmo é de gente como a gente, sabe? Que se entrega, se declara, se molha. Eu sei que estamos bens. Você aí, eu aqui e um pontinho de saudade saudável. Eu só queria dizer isso pra alguém que vai entender. Você sabe que eu sempre invento oportunidade, intenções e declarações que, eu juro, querem dono. Eu não pensei duas vezes em direcionar histórias pra você porque você também estava disposto. As pessoas precisam estarem dispostas. Eu só ando cansada desse tanto de talento e vida perdida. Desse medo de doer e doar que as pessoas têm. Desse medo de tomar chuva, borrar a maquiagem e a roupa. Gente com medo de abrir a janela, iniciar uma conversa e ser ignorado. Saudade de gente que se arrisca, como nós. De gente que quebra as regras, mas não as leis. Saudade dessa sua coragem, em corpos alheios, de pegar carona pra viajar pra ver alguém. Sinto falta dos sussurros, do segredo, da vontade de desbravar o mundo em segundos. Saudade do nosso amor urgente de primavera, com data de validade. Quero gente assim, que não disfarça saudade ou paixão. Gente que enfrenta gostos musicais diferentes e sotaques estranhos. Gente que só usa o "não" no vocabulário pra preservar o juízo. Observo a chuva, tão despretensiosa, que tenho vontade dessa serenidade depois de muita atitude. "A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem.", escreveu João Guimarães Rosa. Ele é um dos meus escritores preferidos, já te disse? Tô com saudade mesmo é da parte de esquentar, entende? Ninguém quer abandonar o conformismo, desgrudar da rotina. Queria que algumas pessoas aprendessem com você. Porque é tanta vida, filme, livro, música (que não existem, ainda) querendo ser vividos que me dá uma agonia de desperdício. E não falo só do meu par romântico, digo também de se entregar aos compromissos pessoais e egoístas. Desse amor próprio que ninguém quer admitir, cultivar. Saudade de aprender a me amar, um pouquinho mais, cada dia. Saudade de gente que se permite. Espero que você esteja melhor do que sempre. Nesse quesito, de se entregar aos compromissos. Aprendi com você. Ainda temos que terminar isso, né?

Se cuida,
do seu amor exagerado,
Fernanda.

P.S.: É, às vezes eu me lembro quando chove... 

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Aqui de passagem


E a vida vem, de mansinho, para nos provar que ela quem manda. Mesmo com a gente morrendo de tanta coisa e de tantos desejos. Meros espectadores. Engarrafamento, voo errado, semáforo demorado e nossa felicidade se esconde para uma outra hora. E lugar. Desencontros e esperanças esparramadas no chão. Choro lendo o cartão da amiga - que veio com cheiro e amor, menos presença - e lembro o quanto quero me encontrar. O quanto quero ser o que penso. O quanto queria que nosso maldito voo tivesse sido o mesmo só pra ter a mínima chance dele perceber que nos merecemos, que eu me importo, que a gente combina, mesmo que de longe. Combinar de longe já é grande coisa. Ou então só pra ver ele sorrir meio tímido e me chamar de algum nome que detesto e nem imaginar que só por isso vou explodir uma semana. Ou até mesmo pra saber que a gente pode se ver com mais frequência, se tudo der certo. Minha mãe liga. Ela não sabe que não posso falar poque ninguém pode me interromper nessas horas e reclama, enche o saco e me deixa estressada. Não entendo isso de serem sempre os filhos os compreensíveis. Compro um chocolate, mudo a música porque não quero lembrar o quanto gosto de Eduardo e Mônica, e escuto The Doors. Lembro do menino bonito do fim de semana com a blusa da capa do álbum. Vontade de ficar. Não quero mais ir. Aprendo, muda, que a hora de falar é quando você tem vontade, mesmo. Ninguém adia urgências faláveis. Vê só, nem sei mais o que dizer do jeito de Lady Gaga... Observo o homem de cabelo branco com chapéu na mão e tenho vontade de escutar sobre a vida dele. Mas todo mundo aqui ou está muito apressado ou tem muito tempo. Ele parece apressado. A bateria acaba e sobra espaço no coração e paciência na mente. Sei esperar. Abro o livro e fico enjoada na primeira frase. Estou voltando pra casa cheia. Cheia da barriga e de coisas estranhas, tipo borboletas no estômago sem explicação romântica. Trago a esperança de novas amizades, convites para um dia e o desespero de um mundo gigante. Compartilho histórias com quem não me obriga a fazê-lo. Começo a achar as coisas alcançáveis. Rezo pro futuro estar chegando. Durmo nas instruções do cinto de segurança. A história de amor do piloto com a aeromoça que me deem licença, mas agora eu vou viver.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Sobre signos

No meu bloquinho de formigas...

Fernanda:
Um desabafo: ODEIO CÂNCER!!! Que drama, mimimi.

Elena:
Um apelo: Mais Capricórnio para Ferna! Hahah 

Jéssica:
Uma figurinha: 

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Silêncio



- Você tem andado tão calada... o que aconteceu?

(Tenho estado assim para não cuspir em cima desse moralismo barato imposto. Para não tropeçar no meio de suas palavras que pouco me importam. Tenho andado muda para não interromper dramas tão egoístas e importantes. Para não chorar contando que para alcançar alguma coisa tive que desistir de um dos meus maiores sonhos. Para não devorá-lo de um jeito tão medíocre. Para não ser escrota, puta, idiota. Calo-me para não expor tanta discordância. Para não gritar no meio do acorde maior da música preferida, nem escarrar verdades impróprias e arrogantes. Deixo os outros serem. Calada para não sair fogo quando eu falar. Para não morder, mastigar, triturar com os dentes. Para não rasgar o peito ao tomar o fôlego. Para não me desconcentrar no sétimo passo da dança, aquele em que ele me roda. Para não cair porque exagerei nos detalhes do olhar. Para não ser mal criada. E também porque as palavras não acompanham os pensamentos, assim eles são mais livres para existirem. Não digo nada para ir p'ro céu. Para evitar o sono no meio da segunda frase de horror. Nesse caso, palavras não mudam. Evito a saliva para manter o desgaste longe. A língua tem funções melhores. Suja, errada, errante. Sem sons é impossível arranhar os ouvidos. É por isso. O silêncio é mais confortável e sensato, agora. Assim eu escuto melhor.)

- Sei lá, acho que só estou cansada.

O que não deixa de ser verdade.

(...)

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Boa sorte

Ignorou a dor até o último minuto. Até pra doer era racional. Pra esquecer, se ocupou com o canto do passarinho, o problema dos outros, escutou a conversa romântica do casal, se desesperou com o choro do bebê, perdeu de vista o caminho da borboleta, se distraiu com um novo vício no celular. Disfarçou a lágrima com a mensagem que recebeu e o "boa sorte" de quem podia ser amor. Não foi por chatice, teimosia, e essa coisa de não gostar de quem gosta da gente. Esqueceu propositalmente o remédio, tirou o delineador no banho, reclamou com o olhar do corpo nu e quando, finalmente, deitou... doeu. Doeu completamente. Depois da euforia, permitia-se doer. Sua sorte era que não abria mão do sono. Mesmo que ele só chegasse depois que Marcelo Camelo convencesse que "tudo passa". Ia passar. Faltava pouco.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

O vento

Nós, tão aliados e confiantes do vento, fomos traídos pelo próprio. Esse mesmo que carrega o ar, o mar, o amor. É sempre assim quando se quer brincar com forças maiores e invisíveis, já percebeu? Sempre nos passam a rasteira. O que me mata é essa impossibilidade de reação. Esta incerteza que não me deixa lutar contra isso. Este desespero de urgência que se aproxima e me deixa cada dia mais sem reação e calada. Tudo grita, tudo dói, tudo esparrama, se esconde, fica, foge. Dentro.

Tempestade, vendaval... tem piedade de quem...

Eu acredito em poucas coisas na vida. Uma dessas poucas coisas é a natureza. Deve ser isso que chamam de fé. Por muito tempo, eu achei que estava certa, convicta. Por um bom tempo, o vento no rosto só vinha para aliviar a tensão do calor. Agora, vejo-me arrastada por um caos embaçado. Nem eu sei o estrago que faz... a vida é curta pra ver. Eu não sei pra onde ir, nem com quem. O máximo que faço é preparar as janelas pra chuva, alongar os cílios. Acho tão pouco.

Juras se desfazendo e eu continuei, até aqui, segurando um certo laço com toda minha pouca força que resta. Lembra que o plano era ficarmos bem? Hora da despedida. Meu voo está começando, meu amor... e eu estou indo pra longe. De verdade, desta vez. Vou no vento e atrás dele. Pela primeira vez, minha casa não é alguém.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Dura

Só não queria que a vida me endurecesse tanto. Tão rápido.
E ardesse tanto. E não fosse tanto. E doesse tanto.
É que hoje eu vi um passarinho.
Quis tanto escrever sobre o passarinho...
O que dizer de um pássaro?

Passou.

domingo, 16 de setembro de 2012

O que eu diria se fosse você.


Ou o que eu diria se não fosse com você. 
Ou o que você diria se... 
Ou que a gente disse.

Diálogos.



- Eu queria tanto que você fizesse Economia...
- E eu queria tanto que você me beijasse... - com as memórias turvas, não lembra se falou mesmo. Mas ele beijou.

- Você continua com o mesmo cheiro.
- Esse é só pra você.
- No segundo encontro já pode dizer o nome do perfume? (tem ciúme dos seus perfumes, explica)
- Tá, eu me rendo... Pure Seduction.
- Você faz jus ao nome.

- Cuida de mim, é sério.
- Você tá feliz.
- Não mereço cuidado porque estou feliz?
- Por enquanto você tem se cuidado muito bem...
- Mas cuida.
- Tá, tô cuidando.

- Fala com ele!
- O aniversário tá chegando, então vai ter pelo menos um parabéns...
- Espero que tenha mesmo haha.
- Por facebook vale, né?
- Não né! Tem que ser pessoalmente + "tenho um presente pra te dar, quando tiver interesse em receber, me avisa" hahah
- Hahahaha. Mas eu nunca falei com o garoto, não.
- Então, você tem 8 dias (tempo que faltava pro aniversário) pra falar e criar intimidade.
- Porque afinal é mais fácil criar intimidade em 8 dias que em 8 meses... hahah
- Mas é claro. Tudo depende da sua disposição e força de vontade. Sob pressão é melhor, haha.
- Hahaha. Qual tal um recado no Facebook melhorzinho?
- Não!
- Pff.

- Conversei um tanto com minha mãe agora, sobre muitas coisas. Tô apaixonada por minha mãe. E apaixonada por você também! Sempre haha
- Hahaha, essas declarações vindas de você assim do nada até desconfio, haha, mas amo seu jeito surpreendente. Eu sempre do mundo, mas sempre te amando. Já me conformei já em tê-la como minha pé de valsa, haha. Te amo!

- Não me morde!
- Desculpa, haha.
(...)
- Você tá mordendo de novo... não esquece.
- "Tem beijo que parece mordida..."
- Perdoada.

- Vi um livro e quase comprei pra você.
- Qual?
- "Como se purificar"
- Hahaha, não quero isso!
- Vou te dar. E outro de yoga.
- Preciso do de yoga.
- Só né? Sei...

- O filme só não é muito bom porque tem pouco tempo de duração.
- Tudo que é bom dura pouco.
- Hahaha
(De fora: - Ela é pior...)
(De dentro: - Ela é a melhor!)

- Eu vivo expulsando as pessoas de mim... E não tenho tempo de amadurecer, cuidar, como ele tá fazendo... deve ser por isso que me sinto tão só. Porque não deixo as pessoas me conhecerem ou gostarem de mim a ponto de me fazer feliz. As pessoas não sabem como se comportar comigo... e com ele só foi. Ele meio que forçou isso, mas tô aprendendo. 
- Esse "deixa as pessoas ficarem" ao invés de trabalhar nele, acredite naquela frase de Bob Marley que o vento tira, sendo nosso, ele traz de volta. As pessoas são efêmeras. E só pra transparecer seu texto de "Luto" que me marcou tanto, deixa as pessoas se eternizarem, mas se eternizarem em você. E elas vão.

- Now you're big girl and you will be more feminine as you are. All the best for you, linda.

- Would you like to marry with me?
- Of course! Haha
 

(...) 
- Vamos marcar pra chorar com filme triste um dia desses (e fingir que a culpa é do filme...). "Agora vem os girassóis do fim do ano..." pelo menos. Tá acabando... não vamos perder a vontade de nos entregar ao compromisso de realizar nossos sonhos. Se cuida.
- Recompensas. Obrigada pela conversa! 
 E se cuide também. Vamos aguentar, viu?! Almost done. Move on.

- Quero ver o mar, mas não com as pessoas que vejo todo dia...
- Mas as pessoas que você vê todos os dias são seus amigos...
- Ou não.

- Qual era seu brinquedo favorito quando você era pequena?
- É pra perguntar pros pais, meu amor...
- Ou responsáveis.
- Sou sua responsável? Haha
- É.
- Bicicleta.
- Ainda é seu preferido, né?
- Não cresço.
- Você é gigante e nem sabe.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Gabriele

Gabriele entrou assustada no bar que sempre achou muito bonito e nunca teve oportunidade de ir. Esperou por muito tempo um convite, uma roupa, uma ocasião perfeita, uma comemoração. Decidiu que ia entrar aquele dia mesmo. Sozinha. 23:12, olhou no relógio, só pro caso de precisar escrever depois. Porque apesar de ter tatuado Caio Fernando (e chorar todos os dias por isso) dizendo "Não há nada a ser esperado, nem desesperado", sempre esperava. E desesperava.

Sentou no banquinho do bar, "1930", e decidiu que ia paquerar o garçom. Tinha uma leve atração por garçons. Principalmente garçons novos, tatuados, altos e carecas. Pediu uma bebida chamada "Sex & The City", uma mistura de tequila com coisas gostosas. Bonita e cara. Sentiu falta de um homem pra escolher algo mais forte pra ela. Tocava um som parecido com blues e o garçom nem olhou pros seus olhos. Não se importou. Distraída, brincava com as gotinhas do copo.

Olhou pra cantora. Cabelo meio raspado, voz meio rouca e o resto dos componentes da banda homens charmosos, provavelmente socialistas rebeldes que abandonaram a faculdade. Não entendia mais esse povo e começou a concordar com Criolo: "as pessoas só estão perdidas". A cantora deu uma piscadinha e ela decidiu brincar de gostar. Gostava mesmo era de gente.

21 anos. Primeiro aniversário sozinha. Desligou todos os celulares, não entrou nas redes sociais. Segundo ano na faculdade. Finalmente estava começando ser. Não que fosse muito, mas pelo menos descobriu que era só isso, mesmo. E que nunca ia parar de procurar mais. Cansada. As lágrimas começaram a escorrer sem pedir permissão. 21 anos. Sozinha, num bar.

Intervalo da banda e foi se exibir no piano de cauda no cantinho. Coldplay. Dedos gritaram na tecla e ao terminar, longo sussurro de palmas. Com os olhos embaçados, voltou a se concentrar no outro copo. Coração batendo forte diante tantos desconhecidos. Apreciava a sensação.

Até que ele levantou, sentou-se do seu lado e disse: "Pra quem foi a música?". "Pra mim. Hoje é meu aniversário e Coldplay é uma das minhas bandas preferidas". "Plágio é feio". Bufou. Não gostava muito de quem não gostava de suas bandas prediletas. Sua filosofia era música. Se quer dormir comigo, péssima maneira de abordagem, pensou. Reparou nele e pensou sua irmã dizendo "você tem essa mania de achar feio bonito né... sua cara". Cabelo bagunçadinho, com barba por fazer. Não deu conversa. O menino levantou e foi ao piano.

November rain.

"Essa foi pra você. Hoje é seu aniversário e Guns N' Roses é uma das minhas bandas preferidas."

Com os olhos cheio de lágrimas percebeu que foi o melhor presente da vida dela. Everybody needs somebody. Sorriu e manteve a conversa por 4 horas e  mais um pouquinho. Contou do amor velho, do novo, e do de sempre. Contou sobre as sua teorias malucas e ele riu quando ouviu ela dizer sem parar algo mais ou menos assim: "O que seria o amor se não deitar na grama pra procurar desenho nas nuvens? Ou fazer da pupila do outro um espelho? Ou não aguentar de saudade e quebrar as regras femininas de conquista? Ou ele assistir espetáculo de ballet e ela de luta? Ou fazer nada e achar o silêncio muito bonito? Ou bater de brincadeira usando a desculpa que tapa de amor não dói? Ou isso que faz parecer qualquer coisa/outro imbecil?..."

"Seria sexo. Tem lá suas vantagens também..." E os dois riram como se a noite fosse infinita. E o amor também.

Nascer do sol. Novo ano. Novas conquistas. Novos desejos.

Agradeceu pela noite e se despediu. Beijo lento como em toda cena de amor tranquilo. De pessoa de 21 anos em paz consigo e com os outros.

"Não vai me dar seu telefone?"
"Me dê o seu. Eu te ligo"

Gabriele nunca ligou.