segunda-feira, 15 de abril de 2013
15:36
Garganta seca. Nó no peito apertando. 525 páginas pra ler, do/de lado. Pelos do braço eriçados, sentada na direção do ar condicionado. Conversa em inglês do lado. Grafite laranja na boca. Leve coceira na bochecha. Era a situação da menina, sem nome. Ela era só pensamentos. Corria riscos, depois de muito tempo. Se envolvia com alguém perigoso. Ela sempre se envolveu com gente perigosa, pra dizer a verdade. Mas poucas vezes sentia medo, porque sabia partir. Sempre partiu no ponto certo de ser lembrada, sem machucar. No começo de relacionamentos não existe dores e ela, por mais que não parecesse, gostava de contos de fadas. Se preocupava agora pela distração nos últimos dias. Bateu o recorde com o atual companheiro e só quando ele sumiu um dia inteiro, percebeu que estava ferrada. Depois de muito tempo, percebeu que sentia falta de alguém. Percebeu o quanto era frágil, dependente e o pior, queria ficar. Depois de anos, tinha uma leve pontada de dor e ela até sabia no que tava se metendo, mas ainda preferia enfiar o martelo de vez do que arcar com as consequências de tirar ele no meio do caminho. Com o olhar perdido, deixou as lágrimas se acumularem, não caírem. Insegura, entregue a si mesma. Não se lembrava mais como era se importar em perder alguém ou saber que existe alguém mais importante que você. Reciprocidade... a maldita palavra que poucas vezes entrou em seu dicionário. Quando encontrou o primeiro amor, ele já tinha outro primeiro amor. Quando encontrou o segundo amor, ele já tinha tido o primeiro, segundo e terceiro amor. Quando foi pro terceiro percebeu que ele tinha o amor mais estranho de todos e a reciprocidade até foi igual no começo, até ela dar um novo sentido ao querer. Queria exageradamente. Seria até bonito e saudável se fosse totalmente físico, mas não era. Sentia uma maldita falta. E quase uma tristeza ao pensar que nunca seria nenhum amor. Porque ele já tinha amor estranho o suficiente. Porque ele não é do tipo que ama duas vezes. Nem duas pessoas. Ele nem sabia o que era amor, assim como a menina. Mas mesmo assim amou. E mesmo assim achou pouco. Ela não sabia onde repousar o que ele despertou. Sentou em frente ao computador pra organizar os pensamentos e escreveu em terceira pessoa... pra se convencer que não era nada pessoal. E de repente virou de outras pessoas também. No fundo, talvez ela só quisesse se divertir e acreditar numa coisa boa o suficiente. Boas pessoas (nos) doem, deduziu sem muita certeza.
quinta-feira, 7 de março de 2013
Culpado
Estou tomando cappuccino na minha xícara preferida, só porque você disse que ia tomar seu leite. Estou escutando "Segredos" e pensando nos seus. Estou com o celular do lado, "vai que ele não consegue dormir". Minhas unhas estão todas lascadas porque fiquei nervosa falando com meu pai sobre ti. Comi um ótimo filé à parmegiana essa semana e fiquei pensando em te levar no restaurante um dia. Olho pro Einstein e penso que você deve conhecê-lo logo. Releio sua carta, com a nova informação de personalidade. Sorrio de não me importar ser manipulada. "Participo do seu jogo...". Passo pelo buraco da Paulista, te lembro. Olho pro meu calendário do Pequeno Príncipe e dá vontade de riscar nossa data, mas me controlo pela beleza visual. Penso em aprender cozinhar um doce gostoso, que não seja brigadeiro. Ressuscito Renato Russo. Abro o blog, apago, escrevo, lembro, quero, vou, volto, mando mensagem. Tomo banho com tudo desligado, ou acendo uma vela verde quebrada. Sonho, e acordo sorrindo. Procuro sobre signos. Quero te teletransportar pra discutir comigo, em qualquer palestra polêmica na faculdade. Se a chave cai, a culpa é sua. Se a chuva, também. Quebro o orgulho, me reinvento nos recriando. Meia noite faço um pedido. Peço a pizza sem ketchup, reafirmo a falta de amor ao bacon. Penso mais. Mudo o jeito de ver os casais. Releio, revejo. Crio, e faço um drama pra amiga. Ligo. Ignoro a cantada. Caio na gargalhada com uma piada de humor negro. Quero ter um pônei. Aprendo fazer macarrão. Reclamo da necessidade masculina numa casa. Ligo a TV. Entro no Facebook. Deito 3:17. E é tudo culpa sua. Mas se mesmo assim, você não se sentir nem um pouquinho culpado, eu me culpo por te perdoar...
terça-feira, 29 de janeiro de 2013
5 anos depois...
Ela lembrava do dia, como se fosse ontem. Torcia pra ser lembrada, também. Mãos dadas no cinema e o medo do novo. Cazuza, Legião Urbana e um tanto de música querendo ser deles, quando na verdade, mal tinham um beijo próprio.
5 anos depois. Ela, a melhor amiga, ele e seus 3 melhores amigos. Veio com o presente quádruplo. Restaurante fechando e todos sendo expulsos por olhares. Mesinha no meio da praça. Madrugada de segunda, para terça, 28 de Janeiro. Ecos das próprias vozes. Papo variando entre palitinhos, astronomia, auréolas, sexo, bebida e hipinose. Ele, tonto, tentando uma aproximação engraçada e ela entregue a conversa da mesa.Uma dupla dos amigos se afastam numa brincadeira nerd de hipnotização, a melhor amiga escuta atentamente o que o outro amigo tem a dizer. Ele vai atrás dos brinquedos abandonados na praça e não hesita ao sentar num balanço, feito pra dois. Ela não perde o romantismo e falsa ingenuidade de uns anos atrás e senta em sua frente. Ele começa a passear os dedos entre seus joelhos e a parte até onde o vestido permitia.
- Esse barulho do balanço é tão de filme de terror... - ela diz, admirando a madrugada.
- Hoje vai sonhar comigo te pegando de noite...
- Mas isso não foi aterrorizante, foi romântico, rs.
- Ah, foi? - continua olhando-a atentamente e sério.
- Foi - não conseguindo disfarçar o sorriso.
- Então, o efeito da bebida passou.
- Isso é bom ou ruim?
- Bom. Agora só falo o que quero.
- O que você quer?
- Eu quero você - diz, aproximando-se num sussurro bem próximo ao ouvido.
(...)
- Você não sabe o quanto eu esperei por isso - ele afirma depois do beijo roubado que há muito tempo ela tinha negado.
- Eu sei...
Como bom cavalheiro, deixou-a em casa e emprestou-lhe o casaco. Durante o caminho, palma da mão, com palma da mão, como poucas histórias - e pessoas - merecem. E até um breve carregar no colo, pelo toc-toc do salto insuportável. Elogio às unhas quase pretas e cuidado carinhoso.
Beijo interrompido pelo mesmo medo infantil de serem notados demais, ao escutarem o barulho da porta se abrindo. Agora, eram gigantes. No fim, uma mensagem... porque a trilha sonora não muda, mesmo nos enredos mais compridos: "Mesmo que tenhamos planejado um caminho diferente, tenho mais do que preciso...". Cada um sabia completar o resto.
5 anos depois. Ela, a melhor amiga, ele e seus 3 melhores amigos. Veio com o presente quádruplo. Restaurante fechando e todos sendo expulsos por olhares. Mesinha no meio da praça. Madrugada de segunda, para terça, 28 de Janeiro. Ecos das próprias vozes. Papo variando entre palitinhos, astronomia, auréolas, sexo, bebida e hipinose. Ele, tonto, tentando uma aproximação engraçada e ela entregue a conversa da mesa.Uma dupla dos amigos se afastam numa brincadeira nerd de hipnotização, a melhor amiga escuta atentamente o que o outro amigo tem a dizer. Ele vai atrás dos brinquedos abandonados na praça e não hesita ao sentar num balanço, feito pra dois. Ela não perde o romantismo e falsa ingenuidade de uns anos atrás e senta em sua frente. Ele começa a passear os dedos entre seus joelhos e a parte até onde o vestido permitia.
- Esse barulho do balanço é tão de filme de terror... - ela diz, admirando a madrugada.
- Hoje vai sonhar comigo te pegando de noite...
- Mas isso não foi aterrorizante, foi romântico, rs.
- Ah, foi? - continua olhando-a atentamente e sério.
- Foi - não conseguindo disfarçar o sorriso.
- Então, o efeito da bebida passou.
- Isso é bom ou ruim?
- Bom. Agora só falo o que quero.
- O que você quer?
- Eu quero você - diz, aproximando-se num sussurro bem próximo ao ouvido.
(...)
- Você não sabe o quanto eu esperei por isso - ele afirma depois do beijo roubado que há muito tempo ela tinha negado.
- Eu sei...
Como bom cavalheiro, deixou-a em casa e emprestou-lhe o casaco. Durante o caminho, palma da mão, com palma da mão, como poucas histórias - e pessoas - merecem. E até um breve carregar no colo, pelo toc-toc do salto insuportável. Elogio às unhas quase pretas e cuidado carinhoso.
Beijo interrompido pelo mesmo medo infantil de serem notados demais, ao escutarem o barulho da porta se abrindo. Agora, eram gigantes. No fim, uma mensagem... porque a trilha sonora não muda, mesmo nos enredos mais compridos: "Mesmo que tenhamos planejado um caminho diferente, tenho mais do que preciso...". Cada um sabia completar o resto.
sexta-feira, 25 de janeiro de 2013
Para Juli
22 de Janeiro de 2013, São Paulo
comprei essa florzinha para você. Eu não sei pra que ela serve e tentei por um bom tempo pensar num significado racional pra te presentear com ela, mas não encontrei, desculpa. Eu sei que você fará bom uso. Assim que eu vi isso lembrei de você, do nada. Ia até pesquisar sobre esses brinquedinhos que fazem desenho do tipo dessa flor, sabe? Aquele que tem as bolinhas e régua e você só precisa de um lápis. Todo mundo já teve um. Eu sou apaixonada por isso. É tudo tão lógico, aparentemente fácil e no fim, fica tão bonito e simétrico. Gosto de simetria. Eu sempre ficava desenhando até tentar chegar no final, pra ficar perfeito. Nunca consegui, mas deve ter um jeito. Enfim, não pesquisei sobre isso e nem sei o nome. Mas não quero que pense que seja um presente qualquer. A loja em que comprei era nossa cara. Foi na Augusta, apesar dos pesares, gosto muito da rua. Queria que estivesse aqui, muitas coisas combinam conosco. Falando em combinar, vou cortar o cabelo curtinho, acima do ombro, igual daquela vez. Essa cidade nos encoraja a ser a gente. Aqui tem muito espaço para a boniteza. Meu apartamento está ficando lindo, comprei uma coruja de chaveiro para não esquecer que você cuida das minhas chaves e sempre sabe onde elas estão. Voltando pra caixinha, espero que você não a use para tocos de cigarro, ela é linda e cheirosa demais para isso. Você, tão apegada aos cheiros... aqui cheira bem urbano. Gosto pra aprender a dar valor ao cheiro do mar... e da chuva, que é frequente - ainda bem. Lembra da história de amor e amante, com cidades e tudo? Lembra que, assim, teoricamente, escolheríamos o amor? Eu descobri que a vida não é só isso... por mais que queiramos que seja. Escolhi o amante, sem muitas dores. Aquela velha história do racional. Às vezes o amor não compensa, mesmo com vontades e desejos suficientemente escandalosos.Às vezes, não é correspondido e machuca mais que alegra. Na nossa vida, temos que ser saudáveis. Uma leve saudade não faz mal a ninguém. Estou feliz aqui. Ah, atrás do meu presente tem escrito "Tempo dos Vagalumes", você vai ver e provavelmente arrancar esse papel tosco - seria a primeira coisa que faria; mas guarde os vagalumes. E me perdoa por um presente assim... quando você é meu candeeiro, eu te ofereço um porta-vagalumes. Guarda aí, flor. Guarda luz. Amor, pra quando a saudade de mim e do dono da saudade eterna estiver explodindo. Abra a caixinha quando quiser encontrar esperança, nessa loucura toda que a vida nos exige. Leveza, quando tudo pesar muito e não tiver vinho por perto. Presença, pra você também lembrar que te cuido, lembro, protejo de onde estiver. O principal tem escrito aí dentro.
Fica bem, sempre.
Fernandasexta-feira, 4 de janeiro de 2013
Tem 4 letras, mas não é amor
Não é “Éden”, mas pode começar com E, e até pode ser
sinônimo. Não é “sexo”, mesmo eu querendo que fosse. Não é “Casa”, apesar de
ter sido lar diversas vezes. Não é "rolo", é o saco inteiro de papel higiênico. Não é “Hino”, por mais que eu tenha cantado nossas
canções como se de fato fosse. Não é "gato", mesmo sendo lindos. Não é "água", só aumentava a sede. Não é “Homo”, por mais que tenhamos nos
confundido, algumas vezes, com as espécies mais primatas. Não é "ralo", mesmo eu passando por ele depois dos sumiços inexplicáveis. Não é "zelo", apesar dos "cuide-se"s. Não é “Leve”, fomos insustentáveis. Não é "Cruz", mesmo tendo pesado e sido alívio. Não é “Hora”, muito pelo contrário, é
a falta dela. Não é "meia", mesmo tendo meus pés aquecidos. Não é "doce", mesmo sendo confundido com brigadeiro. Não é “Caça”, mesmo tendo parecido história da caça e o caçador. Não
é “Cair”, mesmo que eu tenha tropeçado e machucado muitas vezes. Não é “unir”,
por mais próximo que estivemos. Não é “Eixo”, é estar fora dele. Não é “Jaca”,
por mais que alguns beijos tivessem seu gosto. Não é “Laço”, por mais firmes
que parecíamos ser. Não é "ódio", mesmo querendo ter matado alguns. Não é "Ilha", mesmo ficando, por vezes, isolados. Não é "raro", por mais que eu pensasse que fosse... era só o clichê necessário. Até poderia ser “nota”, com o tanto de escritos no celular,
mas não é. Não é “Jura”, também, por mais que tenhamos jurado muitas coisas que
o tempo tratou de nos fazer esquecer. Não é "pele", por mais que ela tenha sido usada. Não é “Lixa”, mesmo com unhas quebradas e roídas. Não é “Logo”, por mais
urgente que parecesse. Não é "sino", mesmo eu dando um jeito de avisar que era tempo de ser feliz. Não é “olho”, mesmo tendo a maioria das conversas assim... olho no olho.
Não é “quem”, são meus eles ou vocês. Não é “ruim”, mesmo tendo sido chato
certos momentos. Não é "Euro", por mais caro que tenha custado alguns. Não é "fala", até porque muitos me fizeram perder a minha. Não é "guia", por mais que eu tenha sido instruída sobre pra onde ir. Não é “Lema”, mesmo que tenhamos criado os nossos, como por
exemplo, só apostar coisas que ambos ganham. Não é “Nada”, é muito, mas muito
não tem 4 letras. Não é “Lama”, mesmo que tenhamos nos sujado. Não é "siso", mesmo tendo que arrancar alguns à força. Não é “Cena”,
apesar de termos tido diálogos de cinema. Não é “seio”, mesmo com o coração e
os toques morando bem próximos. Não é “Crer”, por mais que eu tenha acreditado
muito em um de nós. Não é “Lado”, por mais que tenhamos andando assim, de mãos
dadas, várias vezes. Não é “Isso”...
É número “seis”, mas pode ser “oito”. São nomes próprios. Sujeitos muito bem definidos.
É número “seis”, mas pode ser “oito”. São nomes próprios. Sujeitos muito bem definidos.
quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
Bege. Azul, verde e rosa.
Primeiro dia do ano. Você me abraça e eu recosto, sem medo, a cabeça no seu peito. Ouço o ritmo do seu coração olhando o reflexo da Lua no mar. Como se ela fosse bonita demais e eu não suportasse olhá-la diretamente, sabe? Assim como você, que também me fez perder o olhar, o jeito e a voz. Você me carrega no colo pra ser confortável para os últimos e primeiros beijos. Seguro seu chapéu e deixo a gente ser. Você me levanta e pouco me importo com o vestido. A presilha do cabelo sai do lugar, pra gente poder ficar no nosso. Você me dá a mão e como bom entendedor de meias palavras, percebe que não gosto do braço apoiado no meu ombro. E você ri do tanto que tropeço, eu digo que é só porque tem alguém pra me segurar. Olho pro mar e agradeço muito. Peço o sossego e a paz que encontrei no seu abraço pro resto dos dias do ano, mesmo que eu encontre isso em outros abraços. Ou palavras, toques, matéria, música ou energia. Sorrio pra amiga e a gente se permite ser feliz juntas. Como nascemos pra ser. Cuido do seu amigo e quero mudar minha palavra do ano para "comunicação". Quero me comunicar mais, de todas as formas possíveis. Hoje nasci aprendendo e acabo ficando. Muda. Até a lua cobrir o mar. A gente se vira com o resto, o chapéu, o sapato, a blusa, a presilha, o vestido, a amiga, o irmão, o mar, as lojas, o show.
quarta-feira, 19 de dezembro de 2012
Avenida Paulista
Horário de pico. Aceito tomar o café com... como é mesmo o nome dele? Tá, deixa pra lá. Starbucks. Eu nem gosto muito assim de café, nem de Starbucks, mas tudo bem. Fora que ele me interrompeu na biblioteca, logo quando estava no melhor momento: descanso nos estudos pra uma música. Tudo bem, tudo bem. É São Paulo. Um gole, três goles. Barulhinho do canudo denunciando que não tem mais nada. Tenho que ir, me despeço com desculpas que já está um pouco tarde, sendo que vai ser o dia que chegarei mais cedo na casa do meu tio. Mentiras sinceras me interessam... Bonequinho verde do pedestre. Passo na livraria e na farmácia. Não compro nenhum livro, minha lista do que tenho pra ler em casa já deve estar na casa dos 30. Compro cera nutritiva para as unhas - que nem tenho mais. Finalmente estou onde estou, sozinha, quase no final das minhas semanas mais estranhas do ano. Eu dei tudo que podia pra essa cidade. São Paulo me sugou, de alma. Fora meus pés cansados, minha cabeça cheia, meu corpo empoeirado. Ando rápido. Observo o skatista que quase me atropela com o som que dá pra escutar através dos fones, a gorda esperando (e comendo, claro) no ponto de ônibus, um casal se beijando melosamente nesse tráfego de humanos (o que eu acho bonito), o homem de terno e gravata, os prédios arranhando o céu, o casal desengonçado indie de mãos dadas, a moça do cabelo rosa, amontoado de gente quase invisível e eu... pequena, vestido azul, só olhando. Olhando como tudo funciona rápido aqui e o quanto gosto. Pensando no quanto estou confusa, com saudade, apaixonada e com medo. Gosto como todo mundo pode ser o que quer aqui. Há sempre espaço. Assustadoramente encantadora. O que assusta, me atrai. "Desculpa", esbarro num homem bonito. Sem querer, só pra deixar claro. Mal percebo, chego. O porteiro que acorda 4h da manhã abre o portão pr'eu entrar no apartamento. Eu sempre acordo mal humorada até ver o porteiro e lembrar que ele acorda 4h da manhã pra abrir o portão pra mim. Sorrio e ele acena... como bons protagonistas de uma cidade que só tem marionetes. E sonhos, e ilusões e imensidões e companhias perdidas. Sorte que eu encontrei alguém com quem almoçar. E tomar café.
terça-feira, 18 de dezembro de 2012
Segundos de possibilidades
Ele tinha tudo que eu abomino e tudo que eu amo. Não soube em que focar. Eu só sei que ele salvou a noite com o primeiro diálogo, aquele em que eu não lembrei o seu nome logo quando fomos apresentados e caso errasse na terceira tentativa, ele me pedia o que quisesse. Mas eu acertei e eu que teria que pedir. O que pedir de alguém que acabei de conhecer? Perguntei, quase dizendo um gole de cerveja - que detesto - só pra não ser sincera demais. E aí ele me beijou depois do "isso". Alto, magro, rockeiro e poeta - dependendo do ponto de vista. Fora o nome lindo, que eu nem disse que já pensei em colocar no meu filho pra não ficar parecendo mentira de comédia romântica. Na verdade, eu só escrevi mesmo para não esquecer. Porque por alguns minutos ele foi o melhor possível amor de minha vida. Às vezes a gente tem que guardar essas coisas.
sexta-feira, 16 de novembro de 2012
Desabafo
Uma vida inteira de gente te dizendo o que fazer. Eu só cansei de alguém querendo me consertar. Quero alguém pra gostar de mim. Assim.
quarta-feira, 14 de novembro de 2012
Dia de chuva
Oi,
há tempos não te escrevo nada. Aliás, não me lembro de ter sido tão direta assim alguma vez. Chove, agora. Eu permaneço imóvel, na janela, só observando o ritmo e sentindo cheiro de terra molhada. Lembra que estava chovendo quando a gente começou escrever uma música que nunca terminamos? Você tocava e eu cantava. Aí depois você fez sozinho, o que me deixou um pouco irritada, mas extremamente feliz. Lembra que você jogou um balde de água na minha cabeça e me rodou firme até eu ficar absurdamente tonta? Arriscamos molhar o cabelo, a pele, a boca. Sinto saudade de você. Desculpa, não você, você. Mas um você outro, mais perto e acessível, a quem essa carta poderia ser direcionada sem tantas entrelinhas e meios. Sinto falta mesmo é de gente como a gente, sabe? Que se entrega, se declara, se molha. Eu sei que estamos bens. Você aí, eu aqui e um pontinho de saudade saudável. Eu só queria dizer isso pra alguém que vai entender. Você sabe que eu sempre invento oportunidade, intenções e declarações que, eu juro, querem dono. Eu não pensei duas vezes em direcionar histórias pra você porque você também estava disposto. As pessoas precisam estarem dispostas. Eu só ando cansada desse tanto de talento e vida perdida. Desse medo de doer e doar que as pessoas têm. Desse medo de tomar chuva, borrar a maquiagem e a roupa. Gente com medo de abrir a janela, iniciar uma conversa e ser ignorado. Saudade de gente que se arrisca, como nós. De gente que quebra as regras, mas não as leis. Saudade dessa sua coragem, em corpos alheios, de pegar carona pra viajar pra ver alguém. Sinto falta dos sussurros, do segredo, da vontade de desbravar o mundo em segundos. Saudade do nosso amor urgente de primavera, com data de validade. Quero gente assim, que não disfarça saudade ou paixão. Gente que enfrenta gostos musicais diferentes e sotaques estranhos. Gente que só usa o "não" no vocabulário pra preservar o juízo. Observo a chuva, tão despretensiosa, que tenho vontade dessa serenidade depois de muita atitude. "A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem.", escreveu João Guimarães Rosa. Ele é um dos meus escritores preferidos, já te disse? Tô com saudade mesmo é da parte de esquentar, entende? Ninguém quer abandonar o conformismo, desgrudar da rotina. Queria que algumas pessoas aprendessem com você. Porque é tanta vida, filme, livro, música (que não existem, ainda) querendo ser vividos que me dá uma agonia de desperdício. E não falo só do meu par romântico, digo também de se entregar aos compromissos pessoais e egoístas. Desse amor próprio que ninguém quer admitir, cultivar. Saudade de aprender a me amar, um pouquinho mais, cada dia. Saudade de gente que se permite. Espero que você esteja melhor do que sempre. Nesse quesito, de se entregar aos compromissos. Aprendi com você. Ainda temos que terminar isso, né?
Se cuida,
do seu amor exagerado,
Fernanda.
P.S.: É, às vezes eu me lembro quando chove...
Se cuida,
do seu amor exagerado,
Fernanda.
P.S.: É, às vezes eu me lembro quando chove...
terça-feira, 13 de novembro de 2012
Aqui de passagem
E a vida vem, de mansinho, para nos provar que ela quem manda. Mesmo com a gente morrendo de tanta coisa e de tantos desejos. Meros espectadores. Engarrafamento, voo errado, semáforo demorado e nossa felicidade se esconde para uma outra hora. E lugar. Desencontros e esperanças esparramadas no chão. Choro lendo o cartão da amiga - que veio com cheiro e amor, menos presença - e lembro o quanto quero me encontrar. O quanto quero ser o que penso. O quanto queria que nosso maldito voo tivesse sido o mesmo só pra ter a mínima chance dele perceber que nos merecemos, que eu me importo, que a gente combina, mesmo que de longe. Combinar de longe já é grande coisa. Ou então só pra ver ele sorrir meio tímido e me chamar de algum nome que detesto e nem imaginar que só por isso vou explodir uma semana. Ou até mesmo pra saber que a gente pode se ver com mais frequência, se tudo der certo. Minha mãe liga. Ela não sabe que não posso falar poque ninguém pode me interromper nessas horas e reclama, enche o saco e me deixa estressada. Não entendo isso de serem sempre os filhos os compreensíveis. Compro um chocolate, mudo a música porque não quero lembrar o quanto gosto de Eduardo e Mônica, e escuto The Doors. Lembro do menino bonito do fim de semana com a blusa da capa do álbum. Vontade de ficar. Não quero mais ir. Aprendo, muda, que a hora de falar é quando você tem vontade, mesmo. Ninguém adia urgências faláveis. Vê só, nem sei mais o que dizer do jeito de Lady Gaga... Observo o homem de cabelo branco com chapéu na mão e tenho vontade de escutar sobre a vida dele. Mas todo mundo aqui ou está muito apressado ou tem muito tempo. Ele parece apressado. A bateria acaba e sobra espaço no coração e paciência na mente. Sei esperar. Abro o livro e fico enjoada na primeira frase. Estou voltando pra casa cheia. Cheia da barriga e de coisas estranhas, tipo borboletas no estômago sem explicação romântica. Trago a esperança de novas amizades, convites para um dia e o desespero de um mundo gigante. Compartilho histórias com quem não me obriga a fazê-lo. Começo a achar as coisas alcançáveis. Rezo pro futuro estar chegando. Durmo nas instruções do cinto de segurança. A história de amor do piloto com a aeromoça que me deem licença, mas agora eu vou viver.
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