quarta-feira, 20 de abril de 2011

Eu entre aspas

- Você não me ama mais, é isso?
- Tá vendo? Esse é o problema com o amor, ou ele vira cobrança e ninguém tem mais paz, ou então ele vira rotina e as pessoas morrem de tédio.
- Se você quer amar alguém por muito tempo tem que aprender a gostar da rotina.
- "O casamento é o túmulo do amor. Foi inventado para os seres humanos medianos, que não são aptos nem para o grande amor, nem para a grande amizade, portanto para a maioria". Nietzsche.
- Você não quer casar porque é um ser superior, é isso?
- Não, eu não quero casar porque casamento é chato. Porque casamento é uma coisa, amor é outra. As pessoas se casam por amor e depois terminam se estapeando por causa de uma infiltração na cozinha.
- Eu não posso acreditar que você não vai mais me namorar por causa disso. Por causa de uma frase do Nietzsche e uma infiltração na cozinha.
- Eu prefiro a aventura à rotina.
- Eu prefiro os dois. Criar um filho, por exemplo, é aventura e é rotina ao mesmo tempo.
- Eu não quero ter filhos, quero fazer teatro. "Ou filhos ou livros". Nietzsche de novo.
- Pois eu quero casar, ter filhos e fazer teatro.

(De algum filme que eu não sei o nome...)


quarta-feira, 13 de abril de 2011

À vocês

...que já foram/são dono dos meus beijos... ou desejo deles.

(Datas me comovem. Fato. Por mais capitalistas que sejam. E beijos me comovem muito mais. Acho lindo como podem expressar várias coisas e causar várias sensações. A foto mais bonita de todas que eu achei foi a do bebezinho aí com o (suposto) pai. E eu até queria escrever de vários beijos, nas testa, no olho etc... mas como sempre, eu vou pro lado mais romântico, mais casal, mais brega possível. Me desculpo.)

Antes... diálogos de hoje:
Fernanda: Tcharan, hoje é dia do beijo! =)
Larissa: Sério? Uhhhh...
Guilherme: Vem cá, então! *abraça e beija as duas* Podem usufruir de mim hoje.
*Fernanda e Larissa dão beijinhos na bochecha ao mesmo tempo*

Fernanda: Feliz dia do beijo!
Monique: Haha. E aí, como vai comemorar o dia?
Fernanda: Não tenho quem beijar de verdade...
Monique: Liga pra ele!!
Fernanda: Ele nem beija tão bem...
Monique: Ahhhh, só prática. Haha.
Fernanda: Preguiça de ficar bom.
Monique: Então beija a maçã.
Fernanda: Quê?
Monique: Beija uma maçã, ué! Haha.
Fernanda: Você faz isso???
Monique: Não, mas morde um pedaço (finque que é uma boca) e beija.
Fernanda: HAHAHA. Ok.

*Alexandre fecha os olhos e beija*: Muah! Feliz dia.

SMS: Tô mandando um beijo pela linha do coração. Recebe aí. ;***
SMS: Recebido. =)

Fernanda: Lembrei de você, hoje, por algum motivo desconhecido. Mentira, porque é dia do beijo.
C: Gente, e o que isso tem a ver comigo?
Fernanda: Alguma coisa.
C: Pode ser mais clara?
Fernanda: Não.
C: Seja mais precisa.
Fernanda: Não.
C: Chata.

Bianca: Qual seria sua reação se alguém te parasse na rua e pedisse um beijo?
Fernanda: Depende, né... hahah. De muitas coisas. A rua e a pessoa, principalmente.
Bianca: Sei... do tipo se fosse uma pessoa do *País das Maravilhas?*
Fernanda: Sim, do tipo se fosse uma pessoa do *País das Maravilhas*.
(*modificado, rs)

T: Um beijo!
Fernanda: Obrigada.
T: E eu não ganho não?
Fernanda: Não por aqui...
T: Linda.

Monique: Sua beijoqueira...
Fernanda: Eu não. Na verdade, acho que prefiro mordida.
Monique: Hahaha, eu também.
Fernanda: Será que existe dia da mordida? Vamos inventar.
Monique: Vamos!
Fernanda: A data será entre nossos aniversários...
Monique: Faço em Setembro e você Agosto e agora?
Fernanda: Aiii...
Monique: Primeiro de setembro, então!
Fernanda: Certo. Dia Oficial da Mordida.

__________________________________________________________________

(Texto sobre alguns que me beijaram, outros que quiseram me beijar e alguns que quis...)

Me beijou na bochecha direita segurando minhas mãos. Todo bonito. Alto, loiro, magro e meu. Você foi meu primeiro medo, minha espera no portão e ansiedade. Selamos amor e agora somos amizades. Continuamos lindos.
Depois, veio mais homem. Eu tão menina e você assim... me beijou como se o mundo fosse acabar e foi a primeira vez que eu achei que o mundo ia mesmo acabar. Você foi tantos depoimentos para amigas, tanta brincadeira e corações ansiosos. Foi torcida pulsante. E às vezes ainda é.
Teve uma vez que virou perigoso. Beijou meus olhos com veneno e me deixou cega. Hoje tenho consciência do quão horrível foi. Você foi tantas pernas tremendo, minhas desculpas esfarrapadas, meu conhecimento abusado. Quando quis, não me quis e vice-versa. Hoje você é ocupado.
De repente, aparecestes todo fofo. Tímido, tocando violão. Foi paixão à primeira vista, risadas e cartinhas. Compatilhamos música. De tão puro, esse só beijou meu coração. E vive beijando...
Uma vez, você surgiu por carta dizendo "Please, leave your taste on my tongue". Foi o mais estranho. Novidade, surpresa e interrogações. Dúvida. No fim, viramos abraço demorado.
Por internet você beijou minhas palavras e nos quisemos tanto. Você foi ilusão, conversas infinitas, vida escrita, planos de encontro. Hoje, é carinho gasoso.
Teve outro que foi decepção. Batemos os dentes e as almas. Esse foi chato e nem sei porque tá aqui. Dizem pra não cuspir no prato que comeu, mas uns só vomitando...
Aí você veio insistente e carente. Você me cobrava demais e (in)felizmente eu não fui o que você pensou que eu era. Nos beijamos e fim. Acontece.
O mais bonito de vocês, no fim ainda é o meu predileto (e o mais triste também). Você demais e eu de menos. Ambos exageros. Uma relação que nos machuca e entristece. E ainda assim, continuamos nem pra lá nem pra cá. Deve ser isso que chamam de amor... que por sinal, ainda nem disse pra você. Nos beijamos em sonhos.
Quando tudo parecia mais azedo, apareceu você e beijo com gosto de brigadeiro. Veio com arrepio e muitas pirraças. Viramos reticências.
Ultrapassando os limites da língua, inventei palavras pra esse você e "agarrar" virou sinônimo de "I like you". Foi faz de conta, noites bonitas e interpretação do jeito que bem entendíamos (e queríamos).
Por último, você tímido brincando com minha doçura, que esconde tanta coisa. Você é pintado de esperança verdinha. Mas menino, eu sou é liberdade...

P.S.: Talvez eu precise de volta de alguns beijos, um dia desses... aceito devoluções.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Capítulo 0


Começamos do fim. Éramos só dois carentes presos ao passado. Éramos música triste para entristecer mais. Éramos compartilhamento de fone de ouvido. Éramos tristezas mudas e carinhos tímidos. A gente era o carinho que queria. A gente era o querer, o quase, o mais nunca ou talvez. Esperança e liberdade de mãos dadas. A gente era possibilidade, era tapa-buraco do bem. Merthiolate que não arde. A gente era compartilhamento de casaco. Era querer aquecer - de novo - o coração. A gente dividia as mesmas coisas e era bom dividir. Éramos olhar perdido, mãos perdidas, almas soltas. A gente era gostinho de quero mais. A gente era tão silêncio. Você, cravo morto e eu rosa despetalada. Até que viramos verdade juntos. Decidimos esquecer juntos. Crescer doando o ombro carregado de mundo. E é lindo sermos sem julgamento, respeitando cada batida do coração desconhecida. Estamos, além de conquistando um ao outro, nos conquistando. Agora somos os segundos eternos que antecedem o beijo. Doando pedacinhos para regenerar partes que talvez alguém tenha arrancado. É tão bonito. Nós somos nossa própria torcida. E eu sou puramente "obrigada".

sexta-feira, 1 de abril de 2011

De vez em quando é primeiro de abril

As brincadeiras de quebrar as partes do corpo perderam a graça. Não tenho mais criativida pra isso. Até minha ingenualidade desapareceu, e eu não cai em nada, mesmo com poucas tentativas. Maria falou que engravidou, Ana saiu de casa, Telma pintou o cabelo, e Fulano morreu. Engraçado.
E eu, aqui, ainda querendo escrever pra você.
Que de vez em quando eu ainda penso. Que de vez em quando eu ainda quero. Que de vez em quando eu odeio. Que de vez em quando tenho ciúmes. Que de vez em quando eu enlouqueço. Que de vez em quando eu sonho. Que de vez em quando eu assisto, durmo e acordo com você. Que de vez em quando eu lembro. Escrevo, de vez em quando. Que de vez em quando eu olho pro céu. Que de vez em quando eu me olho, pensando. Que de vez em quando eu abro a janela do MSN e deixo lá. Que de vez em quando dá vontade de chorar. Que de vez em quando não é muito de vez em quando. Que de vez em quando grito. Que de vez em quando quero todo bem. Que de vez em quando eu escuto. Que de vez em quando quero dançar forró com você. Que de vez em quando eu visito. Que de vez em quando eu sorrio. Que de vez em quando amo o passado. Que de vez em quando quero futuro. Que de vez em quando quase acredito. Que de vez em quando dói. Que de vez em quando, eu queria muito que fosse primeiro de abril, só pra te dizer umas verdades disfarçadas.
De vez em quando, queria que fosse mentira.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Linda Sophie,

...hoje eu vi sua mãe, com você escondida. Toda bonita. Foi por foto, mas ainda assim dá pra sentir felicidade de longe. E você toda apertadinha aí dentro. Dá pra sentir cheiro, também. Quando a gente gosta muito, a gente lembra do cheiro das pessoas. Eu aposto que você vai se apaixonar pelo cheiro de sua mãe. É lindo, lindo, quase tocável.
Na verdade, seus pais ainda não decidiram se você vai ser Sophie de verdade. E quase te chamaram de Tom por um bom tempo, acredita? Ai, ai... Mas eu precisava escrever, e ficaria um pouco feio não ter o nome do remetente, não é? Além disso, é bonito ser Sophie, mesmo não sendo. Se é que você entende.
Então, pequena... eu só queria te dizer que estou ansiosa pra você sair daí. Talvez seja um pouco egoísta, porque eu sei que deve estar quentinho, fofinho, um pouquinho apertado, mas protegida. Não é muito legal um tanto de coisa nojenta juntas, mas as melhores coisas da vida, são aparentemente nojentas, mas isso é conversa pra daqui alguns anos...
Sabe, Sophie, eu queria dizer pra você aproveitar aí. Quando a gente nasce, a gente cresce, cresce, cresce e nem lembra. É um pouco chato esquecer, porque deve ser lindo viver 9 meses dentro de alguém. Depois disso, a gente só entra em alguém com outro tipo de relação. Que não é materna. E isso de mãe-filha, é tão lindo... que se você pudesse se ver, aposto que ia gostar muito.
Eu queria ter te visto preta e branca, na telinha, com tia Dila e Cris... mas eu aqui, te imaginando bonita. E acredite, com seus pais, sair feia é quase impossível. E nem é um pensamento positivo, é Biologia, mesmo. Daqui uns tempos você aprende.
Talvez você esteja um pouco curiosa sobre o mundo aqui fora. Talvez te façam um pouco menos pura. Mas a gente cresce, Sophie. Às vezes dói. Daqui uns tempos, vai ficar insuportável ficar aí quentinha. Não tem mais jeito. Você vai ter que sair. A gente tenta viver como pode... enquanto isso, aproveita aí. Deve ser isso que chamam de paz e que é tão difícil conseguir nos mundos atuais.
Seus pais são lindos, Sophie. Aposto que já está acostumada com sua mãe cantando pra você... ninando, amando. E com Cris beijando vocês duas ao mesmo tempo. Olha que coisa linda. Beijar duas pessoas ao mesmo tempo! E nada que envolva algum pensamento malicioso. Pureza.
Eu te espero ansiosa, princesa.

Beijo, no seu coraçãozinho, que bate o tum-tum mais bonito do mundo atual,
Nanda.

P.S.: Beijo a barriga de sua mãe, daqui mesmo, que eu já tanto amo e quero bem...

quarta-feira, 9 de março de 2011

Feliz dia da mulher

Vitória da Conquista, 09 de maio de 2011.

Feliz dia da mulher, Fabi. Atrasado, segundo o calendário, mas diferente de você, nunca sei a hora certa pra dizer, falar, abraçar... e cá estou, lhe desejando feliz dia da mulher um dia atrasado. Dizem que dia da mulher é todo dia, mas eu ainda sou ligada nessas datas... sempre me motivam, apesar de saber que são mais capitalistas que tudo. E ontem, fiquei pensando, quando minha mãe me acordou com um "parabéns", do porque parabéns... E é por sermos demais. Mas será que é certo ser demais? Sentir demais, falar demais, querer demais, suportar demais. E de repente, quis parabenizar todas as mulheres do mundo e quis ser valorizada. Se os homens soubessem como era difícil ser de tal gênero, todas as mulheres, talvez, estariam floridas hoje. De qualquer forma, não parabenizei ninguém, porque no fundo, ninguém daria valor e seria só mais um "parabéns", como se ser mulher fosse fácil. Talvez seja, pra muitas... mas acho difícil ser mulher pra mim. E achei que você também acharia. Não sei se acertei, mas carregamos um mundo na costas exposto. E às vezes dói, pesa e só queremos uma pessoa no mundo pra dividir o peso, que só aparece quando a gente esquece que tá pesado. Mas é tão difícil esquecer, não é? Às vezes, a família e os amigos ajudam a carregar, mas tá grudado... e só é aliviado com coisas que parecem que não existem. Pelo menos, no momento. E a gente aguenta, aguenta, até derramar lágrimas materializadas em texto. E ninguém sabe quanto o dedo sangrou, calejou pra escrever... expor, mandar, enviar, guardar, colocar debaixo da porta, ou desenhar no céu. O mundo reclama, e mulher não pode implorar. Só podemos pedir pra ficar nas entrelinhas, no olhar que tantas vezes não é entendido. A alma grita, e o corpo tem que se comportar. Mas eu queria mesmo, Fabi, era agradecer. Por ter me libertado pra ser eu mesma. Porque de repente, me vejo pensando como você... mas não porque quero, porque sou. Sou como você, em diversos aspectos, e em diversas formas de mulheres. E com minha pouca idade (comparada à sua), descobri com você que posso ser eu, que algumas coisas podem sim ser ditas, e que o mundo é bonito não só pra mim, só depende do ponto de vista. Eu aprendi a olhar do seu ponto de vista. Sempre esteve tão exposto, mas eu tinha medo de ver, e você me libertou pra mim. Não sei como poderia agradecer. E quantas vezes, mandei pra alguma amiga um trecho seu e embaixo: Fabi Mariano... É tão difícil usar aspas nessas horas, em que você poderia ter dito, mas você está sempre lá, porque não faz mal pensar igual. Faz? Só faz mal não dizer primeiro quem pensou. Queria te mostrar pro mundo, e fazer das mulheres, mulheres como você. Que sofre, chora, grita, esperneia, dorme no colo da mãe e sabe dar valor, mesmo implorando por quem ama. O mundo precisa de mulheres assim, Fabi. Valorizadas. E saber se dar valor não é se punir e virar freira. Saber dar valor é também saber dar valor aos sentimentos, aos prazeres, aos quereres, à liberdade, e ao respeito, o que você faz muito bem e eu admiro muito. Feliz dia da mulher, Fabi. Por ser demais, por existir várias dentro de você, por ser exemplo, por ser... mulher. No sentindo mais amplo e poético da palavra.

Um beijo carinhoso,
Fernanda

P.S.: Depois de pensar um pouco, não me contetei com o "parabéns" de minha mãe e pedi pra um amigo... que disse que eu ainda era menina. Você é menina-mulher, Fabi. E quando crescer, quero ser igual.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Ponto.

Senta aqui comigo, amiga. Vamos olhar pra ela. Por favor, eu preciso. Obrigada. Porque? Porque eu preciso descobrir qualquer coisa que ela seja melhor do que eu. Sério. Preciso saber o que ele viu. Não é. Se ela fosse mais legal, mais gostosa, mais mais, eu até entenderia. Será que é esse jeito mais tímido? Os olhinhos mais redondos ou o cabelo tão natural e longo? Não, amiga, não é masoquismo. Deixa eu ver o que ele tanto quer. Talvez só assim eu tenha algo que ele queira: meus olhos nela. É tipo uma ligação, não acha? Ô amiga. Meu deus, não é loucura. Não quero explicar, entende sozinha. Eu não queria odiá-la por isso sabe? Que tipo de pessoa merece ódio por amor? Nenhuma. Ela tem que ser melhor do que eu em qualquer coisa. Em qualquer manchinha na pele ou na alma, que seja. Não é competitividade, é justificativa. Será que ela toca, dança, inventa? Não é isso. Não estou dizendo que gosto ou mereço mais, só quero descobrir porque ela. Com tanta gente mais um tanto de coisa. Ela tem a mesma coisa que eu vejo nele, amiga? Você tem certeza que quer continuar com essa afirmativa? Não é possível. O que eu vejo? Hum, eu vejo amor no olhos, paz no coração, conforto, carinho por qualquer mínima palavra diferente dita, sonhos, vontade de cuidar. Ah, sim. Só quem enxerga são os apaixonados. Eu sei, é tarde, mas sei. Não nos apaixonamos pelos talentos ou referências, é coisa de fio de coração com a linha de trem de sentimento, não é? Ninguém controla. Mas cadê nosso transporte que não passou há dias? Ai, amiga, tenho tanto medo de ficar sozinha aqui na estação pra sempre. Obrigada por estar comigo. Mas será que vai passar? Digo, essas coisas invisíveis tão bonitas que estão sobrando nela. Tudo isso que ela consegue provocar sem querer e que só ele enxerga. Será que passa, amiga? Não é desejando mal, mas eu queria tanto descobrir a linha que liga meu coração ao dele... acho que estou na estação errada. Vamos, deixa ela aí. Talvez nem seja questão de ser melhor. Ela só é, pra ele, agora, a de agora, ? É que quando uma flor dá bem-me-quer, a outra tem que ser mal. Espera. Deixa eu ver só mais um pouquinho.

(E nessa hora ela me olhou tão marcante que quase achei uma coisa melhor: o olhar. Mas é um pouco injusto analisar olhos tão azuis e secos, com os meus tão úmidos e pretos.)

Bicicleta vermelha

Decidiu que precisava sair. Ver o mundo e as pessoas passarem rápidas igual filme em câmera acelerada... porque o foco tinha que ser ela. E tinha que ser rápido, livre. Adorava vento. O vento sempre leva as coisas embora. Traz, também. Precisava sentir no rosto, aquilo. Ficou em dúvida do que escutar no iPod laranja, então colocou no aleatório... ouviu Bob Dylan, Engenheiros do Hawaii, Seu Jorge, Cazuza, Victor & Leo e alguns outros que até tinha esquecido que existia. Não pensou. Sentiu falta de uma voz feminina e escolheu escutar sambinha de Roberta Sá. O vento ficou responsável por levar as coisas embora. Já era noite, não tinha pôr do sol, ir embora das nuvens, só rostos desconhecidos, sorrisos no ar e céu azul marinho. Não era tão ruim, apesar de preferir ver o sol partir, beijando as plantas da cidade plana. Paz. Levantava e subia. Pedalava, se deixava levar. Agradecia às ladeiras, reclamava nas subidas. Não achava ruim subir, sabia como suas pernas talvez agradeceriam daqui uma certa quantidade de tempo... mas precisava reclamar, um pouquinho, pra não perder o costume. Soltou a corrente, sujou a mão. Voltou. Foi só pra não esquecer a sensação de ser do mundo, um pouquinho e se sentir totalmente a vontade com isso.

"Porque você tá assim?"

"Assim. Quietinha e longe. Estou sentindo falta de você."

E aí eu parei pra pensar. Sabe, pequenina... acho que ninguém tinha notado. Nem eu. Mas eu também tenho sentido minha falta. Tenho me privado de coisas e pessoas que gosto por algo que nem sei se é melhor. Por um bem-estar que ainda está sendo testado. Vivendo outras coisas, outras pessoas. Ou pelo menos, tentando. Me permitindo pra novas situações. Um bem-me-quer um pouco mais trabalhoso. Abraçando o "capeta" quando necessário. Eu precisava de um tempo de mim, sabe? Acho que nunca fez tanto sentido aquilo que Sérgio Henrique falou... "quero tirar férias de mim, mas eu também quero ir". E tenho pensado mais, querendo mais e um tanto de "mais" infinitos... só demonstrando menos. E talvez seja até culpa dos mesmos que você já cansou de ouvir de mim, e eu já cansei de falar. Sabe quando você acha que às vezes não tem lugar pra você no coração das pessoas? Então, me retirei antes de ser expulsa de alguns. Tenho que rever com carinho quem ainda me quer. Mas me desculpa, se demonstrei errado, se sumi um pouco de você. Eu sumi de mim também. E foi tão mais difícil se desfazer dos meus vícios, das minhas pessoas, dos meus desejos, da minha alma querendo gritar que eu estava sentindo. É um pouco ruim se expor assim, sabe? E é mais ainda quando alguém entende errado. É ruim ver o que não quero, logo eu, tão à favor "dos incomodados que se retirem". Estou cumprindo o ditado. Não é fuga, é solução. Acho que vivo de cápsulas protetoras. Sumi pra não me deixar ser. Pra ninguém saber o que eu quero tanto esconder, que de tão meu, eu quero que continue sendo. Tenho necessidade de jogar pra fora, assim, no meio de tantos rabiscos e letras como se fosse sair de mim igual mágica. Ah, se fosse assim... ele já teria ido pra bem longe. E você, sempre perto. Obrigada por ter notado. Mas não se preocupe: pra/por você eu volto sempre, por mais longe que eu vá. Me espera. Só preciso de mais alguns segundos.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Bomba

Caralho. Como eu queria fazer um texto (pra variar) que fizesse um sentido, de verdade. E mexesse com sua porcaria de coração. Se é que tem algum. E te fizesse perceber, que ainda é verdade. Meu deus, se o mundo soubesse o quanto é verdade, estariam todos do meu lado, e você aí, ainda não entendendo minhas frases mais elaboradas. Devia ser permitido contar que me mordo de ciúmes. Mas não é, não pode, porque o mundo fala que não, e se o mundo fala, tá falado. Então eu digo para os fantasmas da minha rua: que raiva! Raiva de ser quase oficial, e é uma chatice isso. Não querer saber e me privar dos meus desejos por causa disso: sentimento. Sente. Mente. Raiva do discurso "todo mundo mente" e acreditar nisso mais que em mim. Nojo do meu ego sendo alimentado por pedreiros quando passo na rua sozinha de short. Indignada com o namorado de minha amiga olhando indevidamente, ao falar comigo. Cadê o respeito, e o amor de mil novecentos e bolinhas? Cansei de desacreditar e isso ser confirmado todos os dias. E quando quase acredito... pff, já era. Brincadeirinha da vida. Faz-de-conta. Queria ser doce de novo. Não sozinha. Estou aquilo-que-não-me-permito-dizer. E feliz, pela metade, por incrível que pareça. Apesar de estar gritando tudo isso, tenho, agora, uma metade feliz e um coração tranquilo. Das pessoas novas, da tarde bonita e da mínima frieza. Mas ainda lembro dos planos cortados na raíz. O apego que não desapega. Se pudesse fazer um pedido, seria tudo de novo e novo. De um jeito diferente, que você pudesse me conhecer mais bonito e eu soubesse me dar mais valor. Porque por mais que não pareça, reconheço meu valor. E talvez, podia ter sido diferente. Podia ter sido... E eu sei, não vai mudar nada, (ou talvez mude pra pior) mas minha alma muda e você não sabe o quanto tranquilizante é. Aliás, você não sabe muita coisa... talvez meus olhos desabem qualquer dia, em qualquer encontro não programado de olhares pretos.


(Odeio julgamentos. Até por isso que escrevo, e os comentários omitidos aqui, que são publicados verbalmente entre amigos. E da pior maneira. As pessoas interpretam como querem, sem saber de fato o que aconteceu. E julgam, mentem e repassam. Agora, quem me diz "tudo bem?" querendo saber muito além disso? Eu sei, falo demais, sinto demais, quero demais... mas tenho meus motivos. E eu sou a única que sei deles. Então, não falem. Nem de mim, nem de ninguém, porque se vocês sentissem como é triste e como é feliz essa dor, talvez errariam mil vezes pior.)

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Meu

Eu tenho tanto medo de você usar o que eu criei pra gente com ela. Talvez seja uma mentira barata que eu queira me convencer, mas eu achava a gente tão a gente, tão original, tão diferente e tão bonito. Tenho ciúmes. Não de você, mas das situações, das palavras, das atitudes que eram tão nossas. De mim, sem esforço, te fazendo ser diferente e falar o que eu esperava.
Talvez seja egoísmo de minha parte achar que as respostas eram dadas por causa de minhas perguntas. Mas você pensou as respostas, sugeriu, mudou, quis... e agora o objeto direto é outro. Não me sinto trocada, até porque faz um tempo, mas só não queria que você desse a ela o que era nosso. O que era meu. Seu. Se é que tenho direito de ainda pedir alguma coisa.
Foi eterno, acredite. Por mais que tenha passado, é um pecado dizer que a música "Cotidiano" de Chico Buarque vai ser a de vocês. Porque é nossa. Não quero ver ela ocupando o terceiro banco toda vez e você a amando por isso. Não quero que você seja com ela o que foi comigo. E dê pra ela o que me deu. (No sentido amigo, galera)
Tenho ciúmes da frase "firme, fiel e verdadeiramente", de você me apresentando a querida Heikenen, do "serás beijada em breve" que era sempre lembrado na mensagem no mesmo horário, de você me chamando pra dançar jazz, do livro da chuva, do velho escrevendo nosso nome no caderno, de você ter que inventar uma palavra em 5 segundos pra conseguir um beijo e dizer "beijo", do bilhete debaixo da porta, dos convites no meio da semana, de você me convencendo tomar café, de você querer ir pra um psicólogo por estar atraído por uma menina de 15 anos, das conversas sobre Woody Allen, das suas histórias inventadas pra me impressionar desmentidas num sorriso, de você me deixando ser, me querendo ser...
Por favor, por tudo isso que fomos, espero que ainda seja nosso. Só nosso. Eterno segredo.