domingo, 16 de setembro de 2012

O que eu diria se fosse você.


Ou o que eu diria se não fosse com você. 
Ou o que você diria se... 
Ou que a gente disse.

Diálogos.



- Eu queria tanto que você fizesse Economia...
- E eu queria tanto que você me beijasse... - com as memórias turvas, não lembra se falou mesmo. Mas ele beijou.

- Você continua com o mesmo cheiro.
- Esse é só pra você.
- No segundo encontro já pode dizer o nome do perfume? (tem ciúme dos seus perfumes, explica)
- Tá, eu me rendo... Pure Seduction.
- Você faz jus ao nome.

- Cuida de mim, é sério.
- Você tá feliz.
- Não mereço cuidado porque estou feliz?
- Por enquanto você tem se cuidado muito bem...
- Mas cuida.
- Tá, tô cuidando.

- Fala com ele!
- O aniversário tá chegando, então vai ter pelo menos um parabéns...
- Espero que tenha mesmo haha.
- Por facebook vale, né?
- Não né! Tem que ser pessoalmente + "tenho um presente pra te dar, quando tiver interesse em receber, me avisa" hahah
- Hahahaha. Mas eu nunca falei com o garoto, não.
- Então, você tem 8 dias (tempo que faltava pro aniversário) pra falar e criar intimidade.
- Porque afinal é mais fácil criar intimidade em 8 dias que em 8 meses... hahah
- Mas é claro. Tudo depende da sua disposição e força de vontade. Sob pressão é melhor, haha.
- Hahaha. Qual tal um recado no Facebook melhorzinho?
- Não!
- Pff.

- Conversei um tanto com minha mãe agora, sobre muitas coisas. Tô apaixonada por minha mãe. E apaixonada por você também! Sempre haha
- Hahaha, essas declarações vindas de você assim do nada até desconfio, haha, mas amo seu jeito surpreendente. Eu sempre do mundo, mas sempre te amando. Já me conformei já em tê-la como minha pé de valsa, haha. Te amo!

- Não me morde!
- Desculpa, haha.
(...)
- Você tá mordendo de novo... não esquece.
- "Tem beijo que parece mordida..."
- Perdoada.

- Vi um livro e quase comprei pra você.
- Qual?
- "Como se purificar"
- Hahaha, não quero isso!
- Vou te dar. E outro de yoga.
- Preciso do de yoga.
- Só né? Sei...

- O filme só não é muito bom porque tem pouco tempo de duração.
- Tudo que é bom dura pouco.
- Hahaha
(De fora: - Ela é pior...)
(De dentro: - Ela é a melhor!)

- Eu vivo expulsando as pessoas de mim... E não tenho tempo de amadurecer, cuidar, como ele tá fazendo... deve ser por isso que me sinto tão só. Porque não deixo as pessoas me conhecerem ou gostarem de mim a ponto de me fazer feliz. As pessoas não sabem como se comportar comigo... e com ele só foi. Ele meio que forçou isso, mas tô aprendendo. 
- Esse "deixa as pessoas ficarem" ao invés de trabalhar nele, acredite naquela frase de Bob Marley que o vento tira, sendo nosso, ele traz de volta. As pessoas são efêmeras. E só pra transparecer seu texto de "Luto" que me marcou tanto, deixa as pessoas se eternizarem, mas se eternizarem em você. E elas vão.

- Now you're big girl and you will be more feminine as you are. All the best for you, linda.

- Would you like to marry with me?
- Of course! Haha
 

(...) 
- Vamos marcar pra chorar com filme triste um dia desses (e fingir que a culpa é do filme...). "Agora vem os girassóis do fim do ano..." pelo menos. Tá acabando... não vamos perder a vontade de nos entregar ao compromisso de realizar nossos sonhos. Se cuida.
- Recompensas. Obrigada pela conversa! 
 E se cuide também. Vamos aguentar, viu?! Almost done. Move on.

- Quero ver o mar, mas não com as pessoas que vejo todo dia...
- Mas as pessoas que você vê todos os dias são seus amigos...
- Ou não.

- Qual era seu brinquedo favorito quando você era pequena?
- É pra perguntar pros pais, meu amor...
- Ou responsáveis.
- Sou sua responsável? Haha
- É.
- Bicicleta.
- Ainda é seu preferido, né?
- Não cresço.
- Você é gigante e nem sabe.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Gabriele

Gabriele entrou assustada no bar que sempre achou muito bonito e nunca teve oportunidade de ir. Esperou por muito tempo um convite, uma roupa, uma ocasião perfeita, uma comemoração. Decidiu que ia entrar aquele dia mesmo. Sozinha. 23:12, olhou no relógio, só pro caso de precisar escrever depois. Porque apesar de ter tatuado Caio Fernando (e chorar todos os dias por isso) dizendo "Não há nada a ser esperado, nem desesperado", sempre esperava. E desesperava.

Sentou no banquinho do bar, "1930", e decidiu que ia paquerar o garçom. Tinha uma leve atração por garçons. Principalmente garçons novos, tatuados, altos e carecas. Pediu uma bebida chamada "Sex & The City", uma mistura de tequila com coisas gostosas. Bonita e cara. Sentiu falta de um homem pra escolher algo mais forte pra ela. Tocava um som parecido com blues e o garçom nem olhou pros seus olhos. Não se importou. Distraída, brincava com as gotinhas do copo.

Olhou pra cantora. Cabelo meio raspado, voz meio rouca e o resto dos componentes da banda homens charmosos, provavelmente socialistas rebeldes que abandonaram a faculdade. Não entendia mais esse povo e começou a concordar com Criolo: "as pessoas só estão perdidas". A cantora deu uma piscadinha e ela decidiu brincar de gostar. Gostava mesmo era de gente.

21 anos. Primeiro aniversário sozinha. Desligou todos os celulares, não entrou nas redes sociais. Segundo ano na faculdade. Finalmente estava começando ser. Não que fosse muito, mas pelo menos descobriu que era só isso, mesmo. E que nunca ia parar de procurar mais. Cansada. As lágrimas começaram a escorrer sem pedir permissão. 21 anos. Sozinha, num bar.

Intervalo da banda e foi se exibir no piano de cauda no cantinho. Coldplay. Dedos gritaram na tecla e ao terminar, longo sussurro de palmas. Com os olhos embaçados, voltou a se concentrar no outro copo. Coração batendo forte diante tantos desconhecidos. Apreciava a sensação.

Até que ele levantou, sentou-se do seu lado e disse: "Pra quem foi a música?". "Pra mim. Hoje é meu aniversário e Coldplay é uma das minhas bandas preferidas". "Plágio é feio". Bufou. Não gostava muito de quem não gostava de suas bandas prediletas. Sua filosofia era música. Se quer dormir comigo, péssima maneira de abordagem, pensou. Reparou nele e pensou sua irmã dizendo "você tem essa mania de achar feio bonito né... sua cara". Cabelo bagunçadinho, com barba por fazer. Não deu conversa. O menino levantou e foi ao piano.

November rain.

"Essa foi pra você. Hoje é seu aniversário e Guns N' Roses é uma das minhas bandas preferidas."

Com os olhos cheio de lágrimas percebeu que foi o melhor presente da vida dela. Everybody needs somebody. Sorriu e manteve a conversa por 4 horas e  mais um pouquinho. Contou do amor velho, do novo, e do de sempre. Contou sobre as sua teorias malucas e ele riu quando ouviu ela dizer sem parar algo mais ou menos assim: "O que seria o amor se não deitar na grama pra procurar desenho nas nuvens? Ou fazer da pupila do outro um espelho? Ou não aguentar de saudade e quebrar as regras femininas de conquista? Ou ele assistir espetáculo de ballet e ela de luta? Ou fazer nada e achar o silêncio muito bonito? Ou bater de brincadeira usando a desculpa que tapa de amor não dói? Ou isso que faz parecer qualquer coisa/outro imbecil?..."

"Seria sexo. Tem lá suas vantagens também..." E os dois riram como se a noite fosse infinita. E o amor também.

Nascer do sol. Novo ano. Novas conquistas. Novos desejos.

Agradeceu pela noite e se despediu. Beijo lento como em toda cena de amor tranquilo. De pessoa de 21 anos em paz consigo e com os outros.

"Não vai me dar seu telefone?"
"Me dê o seu. Eu te ligo"

Gabriele nunca ligou.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Blue


(Aspas da migs linda: Letícia)

Eu não sei explicar essa preservação. Não sei nem se o nome é esse. Desaprendi usar as palavras. E me expressar através dela ou fora, por mais que precise. Não sei porque insisto, mesmo que quase inconsciente, em não deixar as pessoas se aproximarem. Não sei de onde vem essa frieza aparente, quando na verdade choro com qualquer solo de guitarra muito bonito.
Eu juro que não queria exigir tanto das pessoas. Ou esperar tanto das pessoas. Acho que esperar é mais correto. E na verdade, odeio esperar. Só queria ser mais tolerante quando no fundo sou sincera demais, (quase) amarga. Só acho que o mundo me desiludiu o bastante para acreditar em historinha de amor. Por mais que ame, muito e sempre. "Você não deixa as pessoas se aproximarem"...
Sabe o que é? Só tenho medo. De cativar e ser cativada. Acabei sendo convencida pelo Pequeno Príncipe, mesmo... Tá bom pra melhorar. Assim tem espaço pra todo mundo e muito pra mim. Eu não sei lidar com isso de paixão, amor, permissão, sem ser louca, e consequentemente, afastar o outro de mim. E doer, doer, doer. Não tô disposta. Quero estudar, que é dolorido, também, mas um pouco mais certo, e me divertir quando preciso. Menos uma cobrança.
("Não é gelo. Parece que você carrega um iceberg aí dentro". Engano. É mar. Gelado e azul... de vez em quando agitado e outras vezes muito calmo. É raro o convite para um banho, mas de vez em quando acontece. Limpo e conservado. Talvez ainda. É enorme, cabe muitos, mas tem poucos. O que acontece é que ele foge do controle quando alguém especial aparece. Maremotos. E haja coração.)
"Não sei o que aconteceu com você depois de Fulano" (...) "Tá bom, teve algo com M, B e V também, mas...". Não é culpa deles. Ou dele. Talvez dos livros ou filmes ou essa coisa que a gente carrega no coração, garganta ou mente. É difícil me apaixonar, mesmo... mas é só medo. Não quero colecionar mais frio na barriga, por agora. Não quero ser um peso. É só que acho muito difícil isso de relacionar. Pra isso o outro tem que tocar. Fundo. Em vários sentidos de "quê" e "onde", entende?
Eu queria ficar... mas ninguém convence e ninguém tem culpa. Queria de verdade que alguém fosse especial por mais de um mês... mas no vigésimo quinto dia a pessoa já acabou com o estoque de frases feitas bonitas. Ninguém completa meus diálogos melhor que minha imaginação. Ou passado. Ninguém conta o número de beijo por conversa, pra ser descontado depois. Ninguém mais usa cachecol. Ninguém é alto o suficiente, e nem falo (só) de centímetros. Ninguém tem bom gosto musical. Ninguém tem um sobrenome que combine com o nome do meu filho. Ninguém tem uma tatuagem que me deixe curiosa. Ninguém mais sabe sorrir, olhar e dar valor a isso. Eu sei que se eu não permitir vou ser o ninguém de várias pessoas. Mas... se esforça pra entender sozinha(o)? Explicar isso é muito dolorido, difícil, confuso e complicado.
Olha, quando aparecer, serei da pessoa, como fui de alguns poucos. Só acho que isso não vai mudar com um beijo ou uma conversa a mais. Ou é ou não é. Chances, chances. As pessoas tem que valorizar a primeira. Já me dei chances demais pra saber que não é por isso que  vou mudar. Por enquanto. Amor é fácil... assim como eu. Pena que raro também. Facilitaria se alguém concordasse comigo.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

SMS. Sinto muita saudade.

Saudade. Daqui e de palavras. E de tempo. Saudade de fazer cartas. Oficina do diabo, até, sinto falta. Saudade de me arrepender... Tô aprendo lidar com a rotina, o auto controle e muita disciplina. Tomara que dê certo. Pelo menos ainda tenho tempo para algumas mensagens. É o que tem salvado esse turbilhão de movimento e trabalho quase fordista a que tenho me submetido. Poesia do dia a dia.

"Mande um sinal de vida de onde estiver, dessa vez..."

J: ele é lindo e riu da sua situação, amou. ele falou sem eu nem dizer nada, só contando da história: "essa sua amiga tem o que ela quer, na hora que ela quiser" umbeijo haha
F: nem é. mas quando é, eu não quero. "ah, bruta flor do querer...". fala que desse jeito ele que me tem quando quiser. fácil...
J: "ela tá me desafiando. falei dela, não de mim. difícil..."
F: hahaha. bem melhor.
J: o que destrava ela não fala!
F: pra destravar só tocando... sabe-se lá o quê e onde.
J: "tocando... quando ela vem aqui?"

A: topa um cupcake no villa cake mais tarde? só pra atravessar agosto... :)

J: ainda nos surpreendemos com você "e eu como sempre..."

L: bom dia, florzinha de agosto!

G: dá um crédito maior pra ele...
F: trocamos bactérias e salivas! quer crédito maior que esse? haha
G: hahaha

M: tava difícil pra sentar do seu lado, fofa.

V: lembrei de você hoje. como vai?
F: que saudade!
(...)
F: se eu não passar em nada desejável, vou fazer cursinho em São Paulo.
V: você também? vamos fazer cursinho juntos!
F: vamos morar juntos! haha. minha proposta é melhor.
V: vamos! bem melhor. se você se acostumar com minha tarantula de estimação...
F: tarantula? a gente podia criar um gato, ao invés disso.
V: revezaremos na cozinha então, rs.

F: tô num dilema. queria alguém como você pra me ouvir, mas tenho que sair agora.
C: ligue-me, se for o caso.
F: agora você gosta de falar no telefone?
C: não, mas atendo se me ligar.
F: nem eu, mas eu ligo.
C: certo, então :3

I: "Não alcançamos a liberdade buscando a liberdade, mas sim a verdade" ;)

V²: quero só ver quando você vai enfrentar a estrada pra me ver

B: sociologia tá gigante, princesa de rua.

F²: sonhei com você.
F: sonhou quê? Ouunn...
F²: você me ligava falando assim "se você não vier hoje nem fala mais comigo". aí eu buscava você em um prédio e a gente ia no pontão comer e ficava conversando corta e a gente tava tipo numa praça conversando, aí não lembro mais.

Nem dá pra ser triste assim... tenho pessoas  lindas. Obrigada por salvarem esse mês. E essa vida. Quanto aos meus escritos, minhas palavras só mudaram de endereço e caracteres. Estou aprendendo lidar com números. Mas eu volto... sempre volto.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

SMS

Eu: "Vou sentir saudades"
Fofa: "Só dele?"
Eu: "Não, de você também"
Fofa: "Mais de mim então! Ele foi consequência... homens sempre são".

Foi. Consequência de impulso e desejos. Consequência de permissão, amor próprio e uma liberdade estranha. Consequência de deixar se conhecer. Consequência de uma viagem quase forçada. Consequência de medo e coragem numa mistura afrodisíaca. Consequência de uma curiosidade absurda. Consequência de troca de olhares focados, diante dezenas de pessoas. Consequência da vontade de dançar música junina com tão poucas opções, na minha seleção. Consequência de amar homens de cachecol. Consequência de um São João esperançoso. Consequência de uma amiga descoberta. Consequência de show brega e gente carente. Consequência de mim com vontade de ser a melhor. Vou sentir saudades...

domingo, 17 de junho de 2012

Ácida

É só impaciência com vontade de "deixa estar". É preguiça de transformar "não" em "sim". É muito esforço para reconhecimento que não é imediato. É muita pressa. É pensar nos outros forçadamente. É mãos atadas, pés descalços e vontade de deixar as dores do dia anterior, de tanta dança, só doerem... É vício na hora errada e desejos no ano errado. É um auto controle chato de controlar. É necessidade de tatuagem, música e sono. É vontade repentina de uma bebida muito forte. Pode ser ciúmes, paixão ou brincadeira. É vontade de não acreditar e acreditar. É desejo de escutar um "parabéns" pelo motivo mais idiota. É vontade de ligar sem ser má interpretada, ou não ligar e não ser cobrada. É consciência pesada e castigo-próprio. É muito mais que isso, mas não me faça explicar... deixa eu ficar...

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Jeito manso


A gente não suporta barulho que não seja provocado por nós. 
A gente podia compôr uma música. 
Eu começo. Dedilha-me.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Vermelho

- O que me deixa mais feliz é o que mais te dói. Você não acha um tanto injusto?
- Pelo menos você tá feliz.
- Um dia você ainda vai estar só comigo... de alma.

Quanto mais eu conheço gente mais eu volto pra ele. Não vou usar "você" dessa vez. Não quero mais uma carta jogada na gaveta. É só uma historinha boba pra quem quiser ouvir. Não importa quem queira ouvir, eu quero contar. Sobre ele, não você. Eu me apaixono de vez em quando (de vez em quando mesmo), até descobrir que a pessoa é nerd demais ou romântica demais ou alternativa demais ou canalha demais pra mim. Não estou reclamando. Sempre amei nerds, românticos, alternativos e canalhas, mas só não me encaixo nisso. Não inteiramente. Não sei definir esse tanto de vida que carrego e o mundo vive pedindo definições. A gente tem que pertencer a alguma coisa, lugar ou crença. Apesar de ter sido feita de laços de muitas cores e tamanhos, sempre acho que meu grupo é feito de duas pessoas: eu e ele. Grupo sem nome porque não tem o que explica. É só aquele lugar que você gosta de quem você é. Lugar onde você fala besteira e tá tudo bem. Lugar onde alguém se parece um pouco com você e você não se importa de ser. Cansei dessa montanha russa de coração, misturada com viagens e provas e frio na barriga e responsabilidade. Só queria um lugar pra ficar quietinha, um lugar pra descansar o olhar totalmente a vontade. Ele sabe que quando fico em silêncio digo muito mais. Era isso: tinha muita coisa pra dizer.

terça-feira, 29 de maio de 2012

"seitas estranhas proclamam que o teu destino ainda não se cumpriu"



(foto do lindo do meu tio Gabriel Delano)
"Céu de Brasília
Traço do arquiteto
Gosto tanto dela assim
Gosto de filha música de preto
Gosto tanto dela assim"

Eu não quero mais visitar Brasília. Não quero mais foto de turista. Não quero viver tão longe do Senado. Não quero ter que correr e chorar porque não deu pra ver todo mundo que gostaria. Não quero ser mera espectadora daquele céu de um dia. Quero rotina no Parque da Cidade, quero domingos na Biblioteca. Quero sentar perto da fonte e ficar observando a dança das águas até esquecer que estou atrasada pra universidade. Quero fazer um poema novo sobre pessoas novas, sentimentos novos e cidades novas. Quero visitas na república, kitnet ou apartamento de dois quartos. Quero entender as ruas largas e os esconderijos de quem nunca vê ninguém. Quero pagar um real pra ficar na biblioteca do templo da LBV e ler meu livro predileto. Não quero ter que me explicar, arrumar mala, acumular frio na barriga. Quero o "boa viagem" de lá pra cá. Quero cantar o hino no hasteamento da bandeira e morrer de calor no Sol. Quero os passos de minha madrinha e as fotos do meu padrinho. Quero passear por vitrines caríssimas e continuar achando o mundo mesquinho, estranho e hipócrita. Quero pagar muito caro num sorvete pra comemorar. Quero indie rock ao vivo. Quero ser a melhor cliente da lojinha de camisetas que fica próximo a torre. Quero entender Renato Russo de perto. Quero ônibus lotado e lago vazio. Quero me lembrar todos os dias que a UnB foi uma das minhas maiores dores (e alegria). Quero me perder, ligar pra minha mãe e dizer "não entendo os pássaros daqui". Não quero mais tanta prova. Não quero mais olhar pro lado pra atravessar a rua. Quero passarelas e músicos pedindo um trocado. Não quero mais ser interpretada. Quero ver pessoas bonitas e metidas. Quero ter um bar legal pra ir. Quero morrer de saudades do mar. Quero que essa cidade seja meu cenário. A trilha sonora é comigo. Quero explicar que isso é muito além de me prender, de fugir e que eu não sei explicar. Quero encontrar Lucas no pior dia da semana, sair pra comer Mc e xingar todo mundo que conhecemos. Quero ver Camila e finalmente, poder ir com ela, em algum lugar com classificação 18 anos, sem morrer pra entrar. Quero sair com Wanwan e dizer que a gente agora pode sair sempre, mesmo que eu só vá vê-lo nos recitais de piano. Quero me arrepiar numa ópera. Quero ligar pra Felipe ir me buscar porque tá chovendo e amar porque está chovendo. Quero ver Hian num mês difícil e lotá-lo de dramas pessoais. Quero passear com Thamirys. Quero ouvir meu pai reclamar do clima e reclamar que eu não vou me adaptar, também. Quero um emprego e uma tatuagem, e não ligo se precisar acordar 5h da manhã (mentira). Quero que minhas irmãs se apaixonem por minha comida, mesmo que eu só saiba fazer brigadeiro. Não quero mais 61. Quero parar pra assistir um jogo de basquete numa quadra qualquer e perguntar o nome do cachorro da minha vizinha. Quero tirar uma foto da árvore amarela. Quero assistir a final carioca no Píer e ver Móveis Coloniais de Acaju. Quero ser caloura da @whoisophia e ter coragem de conhecer outras arrobas tão, anonimamente, queridas. Quero falar que talvez ela estivesse um pouco errada, mas que eu ainda continuo achando um dos melhores textos que já li. Quero passagens aéreas mais baratas e fáceis. Quero ficar mais perto de São Paulo. Quero comemorar com Thiago porque a gente conseguiu. Quero logo, antes que eu mude, antes que eu tenha dúvida de novo, antes que eu desista, seja tarde ou eu tenha uma ataque cardíaco. Quero rir do excesso e falta ideal que eu acho que é Brasília. Quero participar disso. Quero uma placa de carro do distrito (mesmo que seja só a placa, rs). Quero conhecer o bendito Cine drive-in. Quero contar um segredo, pra alguém, na parede da Catedral. Quero colecionar realizações de desejos. E por fim, não quero ter que fechar a mala pra quatro dias...

domingo, 27 de maio de 2012

Luto

Meu peixe morreu. Vou sentir falta de saber que tem um ser vivo respirando comigo no mesmo lugar todas as noites. Mesmo que em um mundo bem menor que o meu. Quantas vezes não quis me afogar naquele aquário, também... e aposto que se ele fosse peixe gente, ia querer trocar de lugar comigo. Só tínhamos uns aos outros, mesmo com linguagens, tempo, idade e tudo diferente. Éramos da gente. Eu o alimentava, em troca de mais uma distração, ocupação. Limpava sua casa, pedia pro Bob Esponja te cuidar enquanto eu não estivesse. A gente não quer acreditar na morte. Nunca quer. Mas se tem uma coisa que acredito, é que morte é eternidade e aqui, passagem. E ele se eternizou. De repente, suas nadadeiras pesaram demais e alma ficou levinha. Alma leve é quase felicidade. Mas o que mais me doeu foi seu nome... que eu nunca dei ou sempre trocava. Lembra que eu disse que seu nome podia ser o dos meus amores e quando você morresse meu amor atual era o que seria pra sempre? Eu quase chorei por isso. Porque não sei mais o que é amor. Ou nunca soube. Ou talvez aprendi um tempo, mas achei que estava enganada depois. Lembrei da última pessoa e tive que me confirmar: mas amor não é beijo íntimo, não é? E ninguém se mexeu. Você deitado com a boca aberta e eu com a garganta presa. Me deu uma vontade danada de pegar o telefone e dizer "meu peixe morreu... e aposto que vou ficar uma semana pensando sobre meu amor atual-eterno que eu disse que deveria ser o nome dele, e agora?". Aposto que meu ouvinte não ia entender nada. Ou fingir que não entendeu e me fazer explicar cada vogal; provavelmente. E lá ia eu contar mais uma versão da mesma história. Continuo cheia de drama, de vontades, de reclamações e de vontade de mudar o mundo. Continuo querendo ser Deus pra ressucitar meu peixe e dizer que ninguém que eu gosto pode me deixar primeiro. Ninguém que eu gosto muito deve ir embora, porque isso é tão raro. E ninguém que eu gosto muito pode se eternizar, porque dói. "Não foi você que disse que nas melhores histórias alguém morre no final?", talvez meu ouvinte perguntasse. Só meu peixe sabe o que eu responderia.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

"Que perder seja o melhor destino"

Eu não sei mais o que fazer de mim. Com essa vontade de querer explodir o tempo inteiro. Com a falta de reciprocidade, com o excesso de carinho, com o excesso de vontade. Não sei mais o que fazer da gente. Com "gente" incluindo amigos, famílias e amor. Não sei. Só não queria me sentir tão responsável por tudo. Só não queria ser tão responsável por tudo. Saudade de ser leve. Minha dureza agora transborda até pelos olhos. Dura e fria. Conselho pra dormir, fazer, doer. Tem que doer mesmo. Eu só queria que doesse com alguém grande e bonito segurando minha mão o tempo inteiro. Eu só queria que doesse suportando a alegria dos outros. Tenho me sentindo suja, errada. Qualquer coisa é motivo pra chover, também. Pelo menos tá frio e tá indo. Pelo menos tá doendo. Sinal de que tô viva, não é? Sinal de que alguma parte precisa mudar. Quem dera eu não soubesse o que era. E quem dera (não) dependesse só de mim.